Alma em Verso
Festivais

Esteio da Poesia Gaúcha

8 edições · 81 poesias

I Esteio da Poesia Gaúcha

  • A Dor da Perda

    Maximiliano Alves de Moraes

    Não sei se foi de saída Lá na barranca da sanga Ou na boca da picada Onde o zaino se assombrara

  • A Maldição do Frederico

    Francisco Carneiro Neto e José Mauro Ribeiro Nardes

    Morfeu embala o sono, Dos que dormem nos galpões, Não pintou o arrebol, Paira um breu sobre os rincões.

  • Dos Meus Silêncios

    Mateus Lampert

    Talvez sejam esses silêncios... os caminhos que levam ao meu coração, transcendendo o tempo que cruza as horas... viajeiro – no tranco dum pingo de bom cômodo.

  • É Bem Assim Lá no Campo

    Jadir Oliveira

    O campo que vive em mim é o mesmo dos meus avós, que por mais que a vida passe e a gente se vá embora ele permanece vivo pra sempre dentro de nós...

  • Em Nome do Pai

    José Luiz Flores Moró

    I Em nome do Pai cheguei ao Filho E aos antigos Seus ensinamentos... Vaguei pelos sagrados testamentos

  • O Gato

    Luís Lopes de Souza

    Gato preto é mau presságio malgrado na sexta feira, é o “coisa ruim” disfarçado rondando a lenda crendeira...

  • O Outro do Espelho

    Guilherme Suman

    A parede que no tempo há muito se enfeia, Sem cor, sem graça, e um eito de estranha... Se prateia no cardar do fio das teias Uma tela tão perfeita pro tecido das aranhas.

  • Relicário

    Marcelo d’Ávila

    Meu simples galpão de estância Guarda lembranças antigas Em cada nesga de história Pendurada na parede;

  • Romance do Assoviador

    Matheus Costa

    Que destino, moça bela, Ter nascido Bem-Te-Vi Se meu canto - que era livre É prisioneiro de ti...

  • Três Rosas e um Cabaré

    Joseti Gomes

    Na casa velha e vazia não há sorrisos nem cores... Assombrações são constantes... Ausentaram-se os amantes

II Esteio da Poesia Gaúcha

  • A Menina Que Só Queria Crescer

    Bianca Bergmam

    A avó daquela menina já foi menina comigo. Já se foram tantos anos e ainda me lembro bem. Brincamos pelas calçadas da casa branca dos sonhos E dos mistérios do tempo, com ela eu provei também.

  • De Esporas Calçadas

    Caine Teixeira Garcia

    A madrugada, preguiçosa e cálida, Tece um silêncio incomum! Nem corujas, em seu mau agouro Nem alaridos do vigilante quero-quero...

  • Marca e Sinal

    Carlos Omar Villela Gomes

    0 tom do vento murmura teu nome Quando recorta a madrugada fria; Tem sonhos, sombras e assombros... Tem gosto de nostalgia.

  • O Livro do Coração

    Matheus Costa

    Este livro envelhecido Tem marcas que eu mesmo fiz E a própria vida hoje quis Dar conta do que guardei...

  • O Tempo da Saudade

    Jurema Chaves

    Saudade é algo que fica Nas marcas que o tempo deixa De sonhos, risos e queixas Para nunca ser esquecido

  • Pago Vazio

    José Luiz Flores Moró

    Sopra um minuano na pele do chão, Descansa o violão no colo de um banco E o pampa adormece num sono solito Ao lume proscrito de algum pirilampo...

  • Quando Rompe a Represa do Olhar

    Adão Pedro Bernardes

    Nasci aqui nesse vale Aqui passei minha infância, Por isso dou importância Quero que o vento me embale.

III Esteio da Poesia Gaúcha

  • Crucificado

    Joseti Gomes

    Hoje eu fui tomado por uma imensa vontade de livrar-me, na verdade, de tudo o que me atormenta...

  • Estrivo

    Adriano Silva Alves

    Ainda te espero... No outro lado dos caminhos, Na outra face da saudade Na mesma voz dos silêncios.

  • Nos Ermos de Onde vim

    Antônio Dirceu Barbosa

    Rondando mansa, pelas frestas de um galpão com trastes de monarquia - releitura presa em dias -

  • O Efeito do Isolamento

    Maximiliano Alves de Moraes

    A noite estendia o poncho E o redomão rabicano Se desenhava na estrada Co’a sombra do luar cheio.

  • O Mistério das Palhas

    Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam

    E lá se ia o tal velho Com quatro cestos nas costas, Cheios de palhas e sonhos... Frente aberta nessa estrada,

  • Pelas Patas

    Everton Michels

    Terra batida, chão vermelho, Pedras e campo aberto... Do mais distante ao mais perto, Conheço esse pago sulino,

  • Penas

    Heitor Gabriel Hartmann

    As aves carregam penas, Sem penas n'alma levar; Carregam penas no corpo, Penas para voar.

  • Relato da Flor Bordada

    Matheus Costa

    Quem me vê nada imagina Do que tenho por malgrado, Pois meu semblante bordado Não transparece jamais

  • Sem Lenço

    Rodrigo Bauer

    Vem um pescoço sem lenço pela Borges de Medeiros... Ele sobe o viaduto e envereda ao Palácio... Seu tetravô gasparista vem em seu sangue de herdeiro, mas ele nem sabe disso, pois esquecer é tão fácil!

  • Serafim, Ponto Final

    Adão Quevedo

    Acharam Serafim morto, sangrando de solidão, sexta feira da paixão... Chora a tarde... Jaz o corpo.

  • Um Poema no Sul

    Caine Teixeira Garcia

    Um poema no Sul É Boitatá na escuridão, A clarear a imensidão Da pampa vieja machaça...

IV Esteio da Poesia Gaúcha

  • A Chuva dos Livres

    Paulo de Freitas Mendonça

    0 céu começa a nublar, cobrindo-se em nuvem densa Nesta hora ninguém pensa corre logo pro varal, arrisca a pressa na cerca fere o arame farpado, fecha as janelas e as portas, volta o olhar para dentro.

  • A Oração da Guitarra

    Jurema Chaves

    0 guitarreiro é uma lenda Que voa entre os acordes De seis tentos afinados! Quando a dor aperta o peito

  • Aguaceiro

    Marcelo d’Ávila

    0 vento assobia, em acordes de valsa, Canções tão antigas que o tempo nem lembra – Abraça as macegas, sacode e embala, Na volta dos ranchos, com rumo à fazenda.

  • Apelo

    José Luiz dos Santos

    0 Tempo, Senhor da Vida, fala e não manda recado; traz um segredo guardado, que tem chegada e saída.

  • Há Tempos é Assim

    Marcos Roberto Paines Nunes

    Floreando a barbela, “tiflando” uma copla - que há tempos é a mesma... Estampa “grongueira”, jeitão de fronteira, me vou... trote lento.

  • No Meio de Um Mate e Outro

    José Luiz Flores Moró

    No meio de um mate e outro Remonto as sobras de mim Que se perderam a lo largo Quando a vida me quedou

  • O Dono de Mim

    Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam

    Partiu... Se foi embora ao romper da madrugada, Não levou as malas, nem se despediu. Só deixou pra trás dois ou três pertences,

  • O Duelo de Don Blanco

    Danilo Kuhn

    Rivais em um descampado, arma em punho, bem chairada, sede por honra lavada, coração descompassado...

  • Romance do Andarilho com a Lua

    Rafael Mota Altenburg

    Quem nunca viu Dom Altair Cruzando por estas estradas Farejando o pó das tropilhas Ou de tropas repontadas.

  • Tudo o Que Havia de Bueno

    Rodrigo Bauer

    Um homem vai pela estrada; um outro dorme na mira... De seu, há apenas o nada, pois isso ninguém lhe tira!

V Esteio da Poesia Gaúcha

  • A Cor do Pago

    Edson Marcelo Spode

    No linguajar do meu povo De xucreza carregado Aflora o nosso passado, Forjado assim sem retovo,

  • As Asas de Don Negro

    Danilo Kuhn

    A noite alta na pampa encobria, com seu manto, poesia e acalanto e sua negra estampa,

  • Clã

    Henrique Fernandes

    Pra quem os olha sem tempo, vê que o tempo ali parou. Pra quem os vê com brandura... ...vê que o tempo nas molduras

  • Elo Perdido

    José Luiz Flores Moró

    Um ar de bruma entre a janela aberta contrastando o sol em primavera que o setembro derruba na manhã... O pai-de-fogo morrendo no galpão

  • Esteios

    Mateus Neves da Fontoura e Zé Renato Daudt

    Escora o peso do mundo, Com ombros de imensidão... Tesoura, caibro, oitão, Telhado, quincha e morada...

  • Liberdade

    Matheus Costa

    Este par de asas miúdas - gigante pra quem as sente - com destino diferente rompe lonjuras do tempo.

  • O Fundo do Poço

    Silvio Aymone Genro

    O silêncio soluça No fundo do poço... Enquanto as roldanas Cantam aos ventos!

  • O Último Adeus

    Guilherme Suman

    Entro solene à beira da porta. Arrasto um corpo que pouco se importa Em dar a resposta se vive ou se é Apenas carcaça inútil e morta

  • Pra Versejar uma Ausência

    Alcindo Neckel e Luís Lopes de Souza

    Um céu longe multicor estende o véu da aurora no meu olhar já sem cor... trazendo imagens vagas

  • Restevas do Carovi

    Rodrigo Canani Medeiros

    Era uma tarde de chuva num setembro de aguaceiro, quando Venâncio Fogaça pitava um palheiro grosso

VI Esteio da Poesia Gaúcha

  • A Palavra que Eu Não Disse

    Adão Quevedo

    Em que silêncio perdi a palavra que eu tinha, desde o dia que te vi e sonhei que eras só minha?

  • Amo e Basta

    Carlos Omar Villela Gomes

    I Amor! Amor eterno e constante... A vida se inunda dessa aguada; Palavras nunca dizem o bastante...

  • Flores de Maçanilha

    Joseti Gomes

    A mão de pegar na pena, traçar caminhos de tinta, a mão de inventar palavras, do anjo, cortou as asas,

  • O Menino da Guitarra

    Jurema Chaves

    Nosso menino partiu! E a guitarra se calou Num protesto dolorido. Quedou-se triste em seu canto

  • O Silêncio

    Jadir Oliveira e Adão Pedro Bernardes

    O silêncio tem efeitos De reflexão e calma Entendê-lo é percorrer Os labirintos da alma.

  • Ode a Morte

    Jéferson Rogério Valente de Barros

    No rancho de chão batido, Única herança do peão, Velam o corpo: A viúva, os filhos

  • Pedro Garoa

    Arabi Rodrigues

    Quem, eu? Eu! Sou filho daqui mesmo, devoto de Santa Bárbara, neto do velho “Mandico,”

  • Retornança

    Matheus Costa

    Para os olhos da tapera - curiosos e sonolentos - quanto mais vertem lamentos, mais recorda-se o que era.

  • Sextinas de Noite Adentro

    Moisés Silveira de Menezes

    Estendeu-se o olhar pela lonjura, um pouco mais além do horizonte, onde moram a distância e a saudade. Para onde voa sempre o pensamento,

VII Esteio da Poesia Gaúcha

  • Aldrava

    Luciano Salerno

    “Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre. O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta. O vento sopra para o sul e vira para o norte; Dá voltas e mais voltas, seguindo sempre o seu curso.”*

  • Cruz

    Henrique Fernandes

    Em quatro pontos cardeais, onde o sul se enraíza na terra... ...o norte aponta pro céu, tal um braço que se estende

  • Décima Andeja

    Moisés Silveira de Menezes

    Sete centelhas sonoras, medida velha de lei, forjou respeitada grei na florescência de outrora,

  • O Galpão e o Poeta

    Matheus Bauer

    I Na frincha aberta, a força do Minuano conta histórias de um tempo que descansa, no escombro da parede e na lembrança,

  • O Gritador

    Rodrigo Canani Medeiros

    Noite escura se aprofunda no rumo do Capão Alto, o céu não regala estrelas nem descortina a minguante. Cheiro de chifre queimado e um silêncio que perturba... Nem o piar da coruja rompe torpor dessas trevas,

  • O Rio Grande em Transição

    José Mauro Ribeiro Nardes e Francisco Carneiro Neto

    Tendo o verso como arreio, Vou fazendo pastoreio No manancial da memória. E ao repisar as lonjuras,

  • Reflexões

    José Luiz dos Santos

    Quando me paro a pensar, na vida e suas entrelinhas, nos credos, nas ladainhas e juras frente ao altar,

  • Romance das Nove Estrelas

    Carlos Omar Villela Gomes

    São nove estrelas que eu vejo deste meu apartamento... Nove estrelas que se mostram nas funduras do que penso; São estrelas de saudade, de alma e de sentimento, Me trazendo um céu de sonhos, bem maior que o próprio tempo.

  • Um Rosto Emoldurado na Parede

    Guilherme Suman

    I Em um prego amarronzado na parede Vai um quadro pequenino pendurado, Fazendo do passado mais presente

VIII Esteio da Poesia Gaúcha

  • Andarengas

    Matheus Costa

    São as horas dos caminhos para os passos cruzadores... Para o tempo dos sozinhos vaqueanos desses rigores...

  • Batará

    Carlos Omar Villela Gomes

    Batará, galo entonado, não floxas nem no lançante, Porque nasceste cercado por uma cepa maior; Batará, plumagem buena, um taura que se garante, Mas ninguém vê em teu semblante o que tens em sangue e suor.

  • Benzendo -Vítor Bielaski

    Vítor Bielaski

    - Vem gente! Pra que será? - É esporão minha filha! Me traz um carretel de linha E um retalho de tecido

  • Evangelho

    Douglas Diehl Dias

    O poeta tem na verve sua própria eucaristia, e em salmos de poesia benze a hóstia que recebe.

  • N´outro Tempo

    Matheus Bauer e Vitor Lopes Ribeiro

    N’outro tempo fora estância o que ficou por tapera neste fundão de invernada...

  • Não tá Morto quem Peleia

    Gilberto Trindade

    Já viu a luz como guacho Por deserdado da sorte… Depois de enganar a morte Pegou entono ligeiro…

  • Quando o Amor Morre

    Caine Teixeira Garcia

    Um bom dia morno Que se faz suplício, Serve um mate frio Que à mão alcança...

  • Romance do Cambará

    Rafael Ferreira

    A língua fina de ferro lambe a pedra, de arrasto, e molda o fio do machado num sonoro vai e vem.

  • Sextinas de Noite Insone

    Moisés Silveira de Menezes

    Talvez deva ser tristeza, Uma força tão estranha Que põe estrelas na insônia E a alma quase sem rumo,