A Dor da Perda
Maximiliano Alves de Moraes
Não sei se foi de saída Lá na barranca da sanga Ou na boca da picada Onde o zaino se assombrara
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Maximiliano Alves de Moraes
Não sei se foi de saída Lá na barranca da sanga Ou na boca da picada Onde o zaino se assombrara
Francisco Carneiro Neto e José Mauro Ribeiro Nardes
Morfeu embala o sono, Dos que dormem nos galpões, Não pintou o arrebol, Paira um breu sobre os rincões.
Mateus Lampert
Talvez sejam esses silêncios... os caminhos que levam ao meu coração, transcendendo o tempo que cruza as horas... viajeiro – no tranco dum pingo de bom cômodo.
Jadir Oliveira
O campo que vive em mim é o mesmo dos meus avós, que por mais que a vida passe e a gente se vá embora ele permanece vivo pra sempre dentro de nós...
José Luiz Flores Moró
I Em nome do Pai cheguei ao Filho E aos antigos Seus ensinamentos... Vaguei pelos sagrados testamentos
Leandro Araújo
O progresso pediu passagem, Rastro de um novo transporte. Levou na mala a coragem, A alma e o braço forte.
Luís Lopes de Souza
Gato preto é mau presságio malgrado na sexta feira, é o “coisa ruim” disfarçado rondando a lenda crendeira...
Guilherme Suman
A parede que no tempo há muito se enfeia, Sem cor, sem graça, e um eito de estranha... Se prateia no cardar do fio das teias Uma tela tão perfeita pro tecido das aranhas.
Marcelo d’Ávila
Meu simples galpão de estância Guarda lembranças antigas Em cada nesga de história Pendurada na parede;
Matheus Costa
Que destino, moça bela, Ter nascido Bem-Te-Vi Se meu canto - que era livre É prisioneiro de ti...
Joseti Gomes
Na casa velha e vazia não há sorrisos nem cores... Assombrações são constantes... Ausentaram-se os amantes
Bianca Bergmam
A avó daquela menina já foi menina comigo. Já se foram tantos anos e ainda me lembro bem. Brincamos pelas calçadas da casa branca dos sonhos E dos mistérios do tempo, com ela eu provei também.
Caine Teixeira Garcia
A madrugada, preguiçosa e cálida, Tece um silêncio incomum! Nem corujas, em seu mau agouro Nem alaridos do vigilante quero-quero...
Carlos Omar Villela Gomes
0 tom do vento murmura teu nome Quando recorta a madrugada fria; Tem sonhos, sombras e assombros... Tem gosto de nostalgia.
Joseti Gomes
Escutem!!! É o apito do trem!!! Corram!!! Corram!!!
Rodrigo Bauer
I Não me perguntes do gaúcho velho! Do lenço branco a esvoaçar no vento... Há a nossa essência no seu testamento
Matheus Costa
Este livro envelhecido Tem marcas que eu mesmo fiz E a própria vida hoje quis Dar conta do que guardei...
Jurema Chaves
Saudade é algo que fica Nas marcas que o tempo deixa De sonhos, risos e queixas Para nunca ser esquecido
José Luiz Flores Moró
Sopra um minuano na pele do chão, Descansa o violão no colo de um banco E o pampa adormece num sono solito Ao lume proscrito de algum pirilampo...
Adão Pedro Bernardes
Nasci aqui nesse vale Aqui passei minha infância, Por isso dou importância Quero que o vento me embale.
Sebastião Teixeira Corrêa
Ontem vendí meu cavalo... Foi o final de uma etapa Da vida deste peão;
Joseti Gomes
Hoje eu fui tomado por uma imensa vontade de livrar-me, na verdade, de tudo o que me atormenta...
Adriano Silva Alves
Ainda te espero... No outro lado dos caminhos, Na outra face da saudade Na mesma voz dos silêncios.
Antônio Dirceu Barbosa
Rondando mansa, pelas frestas de um galpão com trastes de monarquia - releitura presa em dias -
Maximiliano Alves de Moraes
A noite estendia o poncho E o redomão rabicano Se desenhava na estrada Co’a sombra do luar cheio.
Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam
E lá se ia o tal velho Com quatro cestos nas costas, Cheios de palhas e sonhos... Frente aberta nessa estrada,
Everton Michels
Terra batida, chão vermelho, Pedras e campo aberto... Do mais distante ao mais perto, Conheço esse pago sulino,
Heitor Gabriel Hartmann
As aves carregam penas, Sem penas n'alma levar; Carregam penas no corpo, Penas para voar.
Matheus Costa
Quem me vê nada imagina Do que tenho por malgrado, Pois meu semblante bordado Não transparece jamais
Rodrigo Bauer
Vem um pescoço sem lenço pela Borges de Medeiros... Ele sobe o viaduto e envereda ao Palácio... Seu tetravô gasparista vem em seu sangue de herdeiro, mas ele nem sabe disso, pois esquecer é tão fácil!
Adão Quevedo
Acharam Serafim morto, sangrando de solidão, sexta feira da paixão... Chora a tarde... Jaz o corpo.
Caine Teixeira Garcia
Um poema no Sul É Boitatá na escuridão, A clarear a imensidão Da pampa vieja machaça...
Paulo de Freitas Mendonça
0 céu começa a nublar, cobrindo-se em nuvem densa Nesta hora ninguém pensa corre logo pro varal, arrisca a pressa na cerca fere o arame farpado, fecha as janelas e as portas, volta o olhar para dentro.
Jurema Chaves
0 guitarreiro é uma lenda Que voa entre os acordes De seis tentos afinados! Quando a dor aperta o peito
Marcelo d’Ávila
0 vento assobia, em acordes de valsa, Canções tão antigas que o tempo nem lembra – Abraça as macegas, sacode e embala, Na volta dos ranchos, com rumo à fazenda.
José Luiz dos Santos
0 Tempo, Senhor da Vida, fala e não manda recado; traz um segredo guardado, que tem chegada e saída.
Marcos Roberto Paines Nunes
Floreando a barbela, “tiflando” uma copla - que há tempos é a mesma... Estampa “grongueira”, jeitão de fronteira, me vou... trote lento.
José Luiz Flores Moró
No meio de um mate e outro Remonto as sobras de mim Que se perderam a lo largo Quando a vida me quedou
Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam
Partiu... Se foi embora ao romper da madrugada, Não levou as malas, nem se despediu. Só deixou pra trás dois ou três pertences,
Danilo Kuhn
Rivais em um descampado, arma em punho, bem chairada, sede por honra lavada, coração descompassado...
Rafael Mota Altenburg
Quem nunca viu Dom Altair Cruzando por estas estradas Farejando o pó das tropilhas Ou de tropas repontadas.
Rodrigo Bauer
Um homem vai pela estrada; um outro dorme na mira... De seu, há apenas o nada, pois isso ninguém lhe tira!
Edson Marcelo Spode
No linguajar do meu povo De xucreza carregado Aflora o nosso passado, Forjado assim sem retovo,
Danilo Kuhn
A noite alta na pampa encobria, com seu manto, poesia e acalanto e sua negra estampa,
Henrique Fernandes
Pra quem os olha sem tempo, vê que o tempo ali parou. Pra quem os vê com brandura... ...vê que o tempo nas molduras
José Luiz Flores Moró
Um ar de bruma entre a janela aberta contrastando o sol em primavera que o setembro derruba na manhã... O pai-de-fogo morrendo no galpão
Mateus Neves da Fontoura e Zé Renato Daudt
Escora o peso do mundo, Com ombros de imensidão... Tesoura, caibro, oitão, Telhado, quincha e morada...
Matheus Costa
Este par de asas miúdas - gigante pra quem as sente - com destino diferente rompe lonjuras do tempo.
Silvio Aymone Genro
O silêncio soluça No fundo do poço... Enquanto as roldanas Cantam aos ventos!
Guilherme Suman
Entro solene à beira da porta. Arrasto um corpo que pouco se importa Em dar a resposta se vive ou se é Apenas carcaça inútil e morta
Alcindo Neckel e Luís Lopes de Souza
Um céu longe multicor estende o véu da aurora no meu olhar já sem cor... trazendo imagens vagas
Rodrigo Canani Medeiros
Era uma tarde de chuva num setembro de aguaceiro, quando Venâncio Fogaça pitava um palheiro grosso
Adão Quevedo
Em que silêncio perdi a palavra que eu tinha, desde o dia que te vi e sonhei que eras só minha?
Carlos Omar Villela Gomes
I Amor! Amor eterno e constante... A vida se inunda dessa aguada; Palavras nunca dizem o bastante...
Joseti Gomes
A mão de pegar na pena, traçar caminhos de tinta, a mão de inventar palavras, do anjo, cortou as asas,
Jurema Chaves
Nosso menino partiu! E a guitarra se calou Num protesto dolorido. Quedou-se triste em seu canto
Jadir Oliveira e Adão Pedro Bernardes
O silêncio tem efeitos De reflexão e calma Entendê-lo é percorrer Os labirintos da alma.
Jéferson Rogério Valente de Barros
No rancho de chão batido, Única herança do peão, Velam o corpo: A viúva, os filhos
Arabi Rodrigues
Quem, eu? Eu! Sou filho daqui mesmo, devoto de Santa Bárbara, neto do velho “Mandico,”
Matheus Costa
Para os olhos da tapera - curiosos e sonolentos - quanto mais vertem lamentos, mais recorda-se o que era.
Moisés Silveira de Menezes
Estendeu-se o olhar pela lonjura, um pouco mais além do horizonte, onde moram a distância e a saudade. Para onde voa sempre o pensamento,
Luciano Salerno
“Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre. O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta. O vento sopra para o sul e vira para o norte; Dá voltas e mais voltas, seguindo sempre o seu curso.”*
Henrique Fernandes
Em quatro pontos cardeais, onde o sul se enraíza na terra... ...o norte aponta pro céu, tal um braço que se estende
Moisés Silveira de Menezes
Sete centelhas sonoras, medida velha de lei, forjou respeitada grei na florescência de outrora,
Matheus Bauer
I Na frincha aberta, a força do Minuano conta histórias de um tempo que descansa, no escombro da parede e na lembrança,
Rodrigo Canani Medeiros
Noite escura se aprofunda no rumo do Capão Alto, o céu não regala estrelas nem descortina a minguante. Cheiro de chifre queimado e um silêncio que perturba... Nem o piar da coruja rompe torpor dessas trevas,
José Mauro Ribeiro Nardes e Francisco Carneiro Neto
Tendo o verso como arreio, Vou fazendo pastoreio No manancial da memória. E ao repisar as lonjuras,
José Luiz dos Santos
Quando me paro a pensar, na vida e suas entrelinhas, nos credos, nas ladainhas e juras frente ao altar,
Carlos Omar Villela Gomes
São nove estrelas que eu vejo deste meu apartamento... Nove estrelas que se mostram nas funduras do que penso; São estrelas de saudade, de alma e de sentimento, Me trazendo um céu de sonhos, bem maior que o próprio tempo.
Mateus Lampert
(A Guitarra) Enverguei em vento a madeira ... plantei sons nos temporais. E depois de andar caminhos
Guilherme Suman
I Em um prego amarronzado na parede Vai um quadro pequenino pendurado, Fazendo do passado mais presente
Matheus Costa
São as horas dos caminhos para os passos cruzadores... Para o tempo dos sozinhos vaqueanos desses rigores...
Carlos Omar Villela Gomes
Batará, galo entonado, não floxas nem no lançante, Porque nasceste cercado por uma cepa maior; Batará, plumagem buena, um taura que se garante, Mas ninguém vê em teu semblante o que tens em sangue e suor.
Vítor Bielaski
- Vem gente! Pra que será? - É esporão minha filha! Me traz um carretel de linha E um retalho de tecido
Douglas Diehl Dias
O poeta tem na verve sua própria eucaristia, e em salmos de poesia benze a hóstia que recebe.
Matheus Bauer e Vitor Lopes Ribeiro
N’outro tempo fora estância o que ficou por tapera neste fundão de invernada...
Gilberto Trindade
Já viu a luz como guacho Por deserdado da sorte… Depois de enganar a morte Pegou entono ligeiro…
Caine Teixeira Garcia
Um bom dia morno Que se faz suplício, Serve um mate frio Que à mão alcança...
Henrique Fernandes
Hoje, logo cedo… antes mesmo do dia clarear, um beija-flor madrugueiro se achegou em meu ranchito
Rafael Ferreira
A língua fina de ferro lambe a pedra, de arrasto, e molda o fio do machado num sonoro vai e vem.
Moisés Silveira de Menezes
Talvez deva ser tristeza, Uma força tão estranha Que põe estrelas na insônia E a alma quase sem rumo,