Alma em Verso
Festivais

Sesmaria da Poesia Gaúcha

26 edições · 252 poesias

Osório, RS

1ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Das Paisagens Que Trago

    João Carlos da Fontoura

    A forte garoa guasqueada que vinha do sul, se aninhava nas quinchas do galpão tosco.

  • Devaneio

    Paulo de Freitas Mendonça

    Quando o horizonte límpido Se emponchou de nunens Matizou o céu Refletindo sóis por imagens suas

  • Do Lado de Cá da Ponte

    Juarez Machado de Farias

    A estrada que corta a serra Leva a traz rodas ligeiras Diferentes do passado Com carretas cantadeiras.

  • Elegia ao Ultimo Inverno

    Loresoni Barbosa

    As lembranças vem a galope com a saudade nos tentos, e atropelando a memória faz-me rever a história

  • Essências

    Wilson Araújo

    Um galpão, um fogo de chão, um manojo de jujos pendurado à parede. Uma tira de couro que ganhou de um amigo, para os dias de chuva,

  • Fragmentos Memoriais de um Anônimo

    Moisés Silveira de Menezes

    Não, não me pintem por favor, pilchado, bem montado em flor de flete; pelas bailantas, fandangueando alpedo, arrastando a asa pra morochas lindas.

  • No Baile

    Ruth de Farias Larré

    São muitos dias de espera, ansiedade, fantasia. O sonho desata, louco, a inventar mil quimeras.

  • Pó de Estrada

    José Luiz Flores Moró

    Nas guaritas bambas das porteiras fui sentinela em tardes de guri da teatina vida das estradas... Olhos distantes, de lonjura a fora,

  • Poncho de Ausência

    Jurema Chaves

    Pelas várzeas do meu peito, onde deixaste semeada, uma seara de amores, hoje as lembranças florescem,

  • Reincidência

    Colmar Pereira Duarte

    Amanhece sobre os campos. A bruma que se esgarça nos banhados E esconde as sangas E o capim molhado,

  • Romance do guasqueiro So

    Loresoni Barbosa

    Agosto alçou o poncho sobre os ombros da coxilha, entranhando nas canhadas todo sabor da invernia.

  • Se Marx Fosse Peão

    Juarez Machado de Farias

    A estância se acordou Em dia de marcação, Chiando pelas cambonas Pra iniciar o chimarrão.

Osório, RS

2ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Carta Aberta Ao Guri Que Fui

    Moisés Silveira de Menezes

    Quando vim de lá, trouxe quase tudo, tudo que cabia na velha mala sebruna e nos anseios de horizontes largos. Ficou um potro cabos negros

  • Descendência

    Elton Saldanha

    Eu sou Maria Pequena, Maria Morena, Maria do Povo. Eu sou da terra do ouro

  • Estação 93

    Loresoni Barbosa

    Uma legião de centauros mete a cara na fronteira zombando a sorte dos ventos, pelo perfil da coluna

  • Estrela d'Água

    Juarez Machado de Farias

    O Seu nome era Fraterno: irmão das águas do arroio que davam no Camaqüã.

  • Zitarrosa

    Telmo de Lima Freitas

    Oriental Zitarrosa Por que partiste? Obrero de la pampa, Por que te fueste?

Osório, RS

4ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Dádiva

    Luís Lopes de Souza

    Como um mísero desprovido e coitado, só te ofereço um gesto acanhado e rude, este poema também pobre e tresloucado que ao teu sorriso alcançará plenitude...

  • Homens e Pátrias

    José Henrique Azambuja

    Ronda noturna ao tranco largo coxilha alta e um mouro negro trocando orelhas, carrega destro, no lombo firme o andarilho.

  • Noite Grande

    Gujo Teixeira

    noite grande...! dos retratos antigos pendurados na parede.

  • Nuances de Peregrinação

    Joel Capeletti

    Quando eu era piá, a gurizada do meu tempo atava bois de sabugos às caixas de sapatos para eternizar os viajantes quixotes.

  • O Corajoso

    Carlos Omar Villela Gomes

    Voluntário! Falou. Não disse o nome, mas não foi esse o apelido que ficou... Os nervos de aço, os braços de tarumã, grandes olhos negros feito a própria guerra

  • Relato do Posteiro Só

    Moisés Silveira de Menezes

    Num ermo fundo de campo, no contra ponto forte do cerro, bem onde o rio faz a curva, no pago da minha infância

  • Romance de Campo e Mar

    Moisés Silveira de Menezes

    Quem embarca em barco alheio embarca anseios e medos abarca sonhos nos braços que lançam redes no mar

  • Romance do Peao de estancia

    José Machado Leal

    Fronte altiva, jeito franco marcas de tempo e sol... Bota garrão-de-potro, nazarena sete cravos,

  • Sob os Sóis de Setembro

    Nenito Sarturi

    No lombo de um flete mouro Que até parece voejar No pastiçal de flexilias Revisito, em pensamento,

  • Ultimo Ato

    Colmar Pereira Duarte

    A morte chegou de quieto, com alpargatas farpudas de tanto campear viventes.

Osório, RS

5ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Doma

    Telmo de Lima Freitas

    A lua foi testemunha, Já quase clareando o dia, O redomão Ventania Não aceitou o baixeiro.

  • Cantador das Sesmarias

    Pedro Darci de Oliveira

    Meu senhor dono da casa ... A dalva desperta o dia Que adormeceu na lagoa. Os seus olhos preguiçosos

  • Décima Inconclusa aos Recuerdos

    Moisés Silveira de Menezes

    Confrades de rimas rudes, Tupã foi berço divino pra quem aprendeu a cantar com claves de vento e rio

  • Fim de Tarde

    Alvandir Oliveira

    Um vento morno acaricia o pasto Sem muito esforço, sem pressa. Nesses ermos fundões de campos

  • Recuerdos ao Pé do Fogo

    Jadir Oliveira

    Mais uma noite campeira, Chega encostando os gravetos No velho fogo crioulo Que acendi no meu galpão.

  • Relato de Campo e Mar

    Nenito Sarturi

    O temporal foi se armando Lá pras bandas do poente, Arregimentando os ventos E entropilhando as nuvens

  • Saga

    Colmar Pereira Duarte

    Com pão e vinho celebrei a vida Com os olhos no céu Trancei meu norte. Com mil cruzes

  • Um Salmo a Cruz da Saudade

    Luís Lopes de Souza

    O vento sola milongas Em monótonos rituais Num salmodiar aos que passam No rumo do nunca mais

Osório, RS

6ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Breve romance dos despachados

    Ari Pinheiro

    Quero que saibas, meu irmão de trago, que nesta noite quase dia compartilhas deste balcão; que esta estampa judiada

  • Estiagem

    Loresoni Barbosa

    Nessa miséria campeira já não dou graças a Deus, maldigo as nuvens covardes que vem no final das tardes

  • Estradas de Vida e Tempo

    Sebastião Teixeira Corrêa

    I Me perco, as vezes, contemplando a estrada Que se prolonga ao rumo do infinito; Atrás, há um rastro de ilusão passada,

  • Eterna Sabedoria

    Glênio Fagundes

    Rufando o tambor das asas, A garganta funda dos galos, Brota no atavismo sonoro... De um canto “leguero”!

  • Hoje é Um Bom Dia Pra se Morrer

    Carlos Omar Villela Gomes

    “ Hoje é um dia bom pra se morrer...” Pensou repentinamente, sentindo a alma nos olhos... Assuntou consigo mesmo na paz da varanda antiga...

  • O Visionario e seu Deus

    Loresoni Barbosa

    Desprovido de vaidades com a alma impregnada de bondade e de clemência, saí pra ver a querência

  • Quando digo um poema

    Colmar Pereira Duarte

    esse poema sou eu, nessas palavras que floresceram de mim, na minha fala, se há espinhos e o poema cala, a flor dos lábios – úmida, entreaberta-

  • Resenha da Safra Amarga

    Luís Lopes de Souza

    Na areia da ampulheta germina a desilusão, se o resumo da colheita não enche a cova da mão...

Osório, RS

7ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Cela

    Luís Lopes de Souza

    Aqui o tempo não urge a consciência me sepulta no mofo da solidão, como a larva do repúdio ruminando a realidade

  • De Visita

    Fabrício Marques

    Antes da aurora recolher o luto, um galo “bruxo”, ressuscitou “as casa”. Trouxe de volta água à cambona e um mate gordo para clarear as brasas.

  • Despedida Numa Noite de Agosto

    Vaine Darde

    A tarde cai mais cedo no horizonte porque sabe que te vais... As estrelas vestirão ponchos de nuvens Esta noite

  • Duas Datas

    Colmar Pereira Duarte

    Na pedra somente o nome e duas datas, mais nada. Nas datas, os dois sinais: para o nascimento, a estrela,

  • Paisagens do Tempo

    Sebastião Teixeira Corrêa

    Olhei o tempo, pelo vidro embaçado das retinas, onde uma nuvem mansa de neblina, aquerenciou-se, sem pressa de ir embora...

  • Pelos Beirais da Lagoa

    Mário Amaral

    Há um ar de ternura nesta noite litorânea! As estrelas pousaram no espelho deste pedaço de céu. A água clara com semblante de

  • Raízes Beduínas Para Um Canto Gaúcho

    Moisés Silveira de Menezes

    Livre, surgiu no deserto tripartido por amor à tenda, à lança, ao cavalo. Nômade, migrou no rumo que lhe apontava a inquietude

  • Romance do Tio Abel

    Guilherme Collares

    Nove leitos de hospital, paredes e rostos alvos... ...e o Cristo crucificado, olhando - compadecido -

Osório, RS

8ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Moça dos Olhos Brancos

    Carlos Omar Villela Gomes

    Não sei se vem de longe este desejo que me faz navegar tantos mates... Um beijo doce transborda no manto azul dos meus sonhos,

  • Almas Antigas

    Juarez Távora Pacheco Fialho

    Quando o ventito afiado farfalhar As folhas do umbu guardião. . . Quando o ronco sonoro do mate novo Ecoar neste chão. . .

  • De Rumo e Sonhos dos Que Andam Longe

    Guilherme Collares

    E foi assim que deixei meu pago: semeando sonhos pra colher saudades… …levando ausências de taperas nos olhos e silêncios de furnas guardados em mim…

  • Monólogo do Peão Solito

    Vaine Darde

    O dia se foi mais cedo E a noite chegou na tarde. Sem pôr-do-sol, na campanha, Apenas escureceu...

  • O Combate

    Luís Lopes de Souza

    Um sol solene e longínquo se fez lume da ribalta no palco do barbarismo...

  • Osório – Marquês de Herval

    Moisés Silveira de Menezes

    Quando o sol se esparge em raios Sobre a coxilha e plainos Vozes antigas renascem Pelas encostas dos cerros

  • Razonando em La Hora Del Mate

    Moisés Silveira de Menezes

    Cando la pampa se duerme entre zambas y vidalas que viven en los ocultos del alma y de la guitarra,

  • Um Violino em Si Bemol

    Pedro Darci de Oliveira

    Na ruazinha do meu bairro Quase em frente a minha casa, As lembranças criavam asas Quando um violino tocava,

Osório, RS

9ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Campeira Mulher

    Egiselda Brum Charão

    Feito as filhas de Tupã fui trazida pelos ventos. Sou a mulher pioneira, sou peona galponeira,

  • Guarita

    Carlos Omar Villela Gomes

    Como chegou, ninguém sabe, Ninguém viu nem se importou... Apenas passos cansados E um silêncio que restou.

  • Origens

    Nenito Sarturi

    Eu poderia ter nascido longe, do outro lado do vasto oceano, nas savanas da África Central, no tórrido deserto do Saara

  • Porque Razões Nascem os Versos

    Sebastião Teixeira Corrêa

    As rimas xucras dos versos, se retesam na garganta Quando canta um pajador; E o poema toma forma, quando

  • Quando um passaro deixa o ninho

    Loresoni Barbosa

    Hoje; meus olhos órfãos de lágrimas Desprenderam-se do eterno outono Desprezaram horizontes largos, Despiram-se de dor e madrugadas

  • Romance do Domador

    Colmar Pereira Duarte

    Foi domador, como tantos, mas domava como poucos. Do berço trouxera a sina de ginete e “saidor”;

  • Romance do Picaço Estrela

    Guilherme Collares

    - Que Deus maldiga a memória do índio Pampa bandido que matou o meu cavalo!... ... rumina Sargento Antonio

  • Sob Um Deserto do Sul

    Vaine Darde

    O que direi de nossa estirpe Para os que, um dia, Nos buscarem na história? Para os homens do futuro,

  • Sobejos de um Andarengo

    Luís Lopes de Souza

    Seu peito também tapera... Sua alma também ruína... Da estância, vagos sobejos Na palidez da retina...

Osório, RS

10ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Ai-Ai-Ai

    Tadeu Martins

    Do meu repertório Não passa de um Assobiozinho vaneirado

  • Cheretã

    Colmar Pereira Duarte

    Se a terra tinha dono E se foi dito ou não, por Tiarajú, A quem bania os índios Pra dividir a posse desse chão.

  • memorial de um tempo antigo

    Léo Ribeiro de Souza

    Repisando o próprio rastro que ficou petrificado nos lamaçais, por três dias, quando desceram as quebradas da Serra da Bananeira rumo a Conceição do Arroio.

  • O Capelão

    Luís Lopes de Souza

    “...Deus deixou, segundo sua vontade as coisas fracas para confundir as fortes e as coisas loucas para confundir as sábias...”

  • Os Caveiras e o engodo da Morte

    Carlos Omar Villela Gomes

    Os olhos nem se cruzavam desde a saída pra lida... Um vinha mais que montado num baio que era um colosso,

  • Que Benditos Sejam os Versos!

    Sebastião Teixeira Corrêa

    - Deus abençoe os poetas Que transformam sentimentos Em palavras de ternura, pros veios do coracão! Deus abençoe os poetas

  • Sem Saber Rezar

    Lisandro Amaral

    Caminho que a alma traduz vestido de luz, num motivo guardado... caminho que o tempo reluz do calvário e da cruz no poema sangrado

  • Últimos Carreteiros

    Carlos Omar Villela Gomes

    Não sou as rugas e os cortes Que a vida marca em meu couro... Sou bem mais que algum lamento À beira deste fogão.

  • Vendaval

    Ruth de Farias Larré e Antônio Ribeiro

    Quando ele veio pela primeira vez, era somente uma visita estranha, trazendo lá de longe, além-fronteira, o belo som da fala castelhana.

Osório, RS

11ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Coberta D'Alma

    Pedro Júnior da Fontoura

    A morte pinta de negro Este encontro com a dor. Uma lágrima, um soluço, Na muda ausência do amor.

  • costeando o mundo

    Carlos Omar Villela Gomes

    Não se debruçam meus sonhos Em parapeitos rachados... Nem nas janelas gradeadas Que teimar em se fechar.

  • Mais Uma Primavera

    Everton Michels

    Se findando a primavera, O dia! se põe nublado, Me quedei... abichornado Ao som de uma milonga,

  • O Soneto Pelos Quatro Elementos

    Rodrigo Bauer

    I Eu sinto no soneto algo de etéreo, um sopro de magia em movimento... É o ar que se transmuda e faz-se vento

  • Pampa do Amor

    Roberto Mara

    Eu amo o Pampa Gaúcho: largo, heróico, sem bucal, irmão da pampa oriental e dos verdes transplatinos.

  • PAR DE BOTAS

    Vaine Darde

    Procurando minha história Andei rastreando memórias Por onde a história passou E, dentro de um baú,

  • Quilombo do Morro Alto

    Carlos Omar Villela Gomes

    Não me digam que sou negra de alma branca, Pois minha alma tem a cor que eu mesma ostento! Negra minha pele, sim senhores, Negra minha alma, com orgulho!

  • Réquiem Para os Dias de Ontem

    Cláudio Silveira

    O horizonte de um cogotilho, se moldava mansamente, a preceito...(tempranito)... Entre as folhas templadas da “Corneta” antiga,

  • Responso Para Meu Pai

    Luís Lopes de Souza

    Do luzeiro incandescente sobeja só uma réstia... Esse corpo diminuto

Osório, RS

12ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Culpa é Tua!

    Carlos Omar Villela Gomes

    Se não estás aqui não tenho culpa, Mas se eu estou aqui, a culpa é tua! Não soube dos teus trancos e teus sonhos, Nem lembro dos teus passos pelas ruas.

  • Anhangüera

    Mateus Neves da Fontoura

    Venho do fundo do tempo Me chamam diabo por velho. Fui santo anjo no Império Banido por traição

  • Elo Quebrado

    Vaine Darde

    A chuva se derrama desde o cerro e a noite trás acordes de cincerros nas lágrimas da quincha sobre o balde... Ah, que triste a cantiga da goteira

  • História Antiga

    Colmar Pereira Duarte

    Seu pai fora bolicheiro. Por essas razões da vida Que até mesmo quem mais sabe

  • O Baile dos Cachorros

    Guilherme Collares

    Foi num tempo, há muito tempo Que este estória se passou. Tempo que os bichos falavam -Minha avó, assim contou:

  • O Filho Varão

    José Luiz Flores Moró

    Quando os primeiros fios de barba me mancharam o rosto E a pompa de ser homem deu-me asas No nômade motriz dos meus sentidos, Parti do rancho ninho dos meus pais

  • Proseadas Solitas

    José Luiz Flores Moró

    Antes... Bem antes da luz da madrugada, Nessa hora tranqüila em que a peonada Busca sonos no campo das lonjuras,

  • Reflexões de Um Gaúcho

    Vaine Darde

    O que se passa afinal? será estou invisível ou vocês são meu delírio? Será que ninguém me vê

  • Todos os Ventos

    Carlos Omar Villela Gomes

    O coração que nos leva pulsa forte E mostra em seu sangue porque veio... Porque se inscreveu nestes silêncios Que marcam suas pegadas pela areia.

Osório, RS

13ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • aquelas Luzes que perdi no dia

    José Luiz Flores Moró

    I É uma noite medonha... Muito fria, A que transponho solito... Cavalgando, Meio sem rumo, em trevas, procurando

  • Do Gaúcho à Dom Vicente

    Márcio de Andrade Madalena

    Meados de mil e quinhentos Numa província da Espanha, De Ronda o Mundo ganha O pai de muitos talentos,

  • Louca

    Vaine Darde

    Louca? Por que será que sou louca? Será porque ando lendo Tantas sílabas de lua

  • Monólogo A Pé

    Guilherme Collares

    - Don Antonio, toma um trago!... - que eu já tô quaje borracho e vô me empedá de vez! - ... que hoje, o assunto é mui largo

  • O Sétimo Dia

    Carlos Omar Villela Gomes

    O sétimo dia chegou cedo... Cedo demais ou me perdi nas contas E eu aqui, sem uma flor sequer; Sequer um choro pra lavar minha alma,

  • O Velho

    Vaine Darde

    Velho, sem retovos, genuíno na retina dos espelhos.

  • Por Não Viver no Poema

    Moisés Silveira de Menezes

    Não busquem pelo poeta na teia crua do verso. Fantasmeiros figurantes ressuscitam gastas lendas,

  • Prelúdio a Um Campo Morto

    Jorge Claudemir Soares

    Uma grota, uma sanga, e um rancho a beira-chão, Assim era o meu rincão na costa do Caiboaté.

  • Quando Um Taura Solta o Laço

    Gilberto Trindade

    É um trovão no descampado e uma carga farroupilha É o pampa de braço erguido derrubando o alambrado

  • romaria das madres do campo

    Andréia Sá Brito

    A vida me bate e ofereço a outra face. Das dores que só eu conheço, não as nego, nem as mereço.

  • Sesmaria D'Água e Sal

    João Antônio Marin Hoffmann e Sebastião Teixeira Corrêa

    Tava incrustrado no couro, já era herança de vidas... Queria cambiar deveras, de posteiro, minha lida, Quando o capataz matreiro deu-me um presente de grego, Já me esperava ençilhado, o maula de cabos negros...

Osório, RS

14ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A QUEM EMBUÇALA OS SONHOS

    Cláudio Silveira

    Enquanto um “hornero”, Faz bombeador da cabeça de um palanque, (na liturgia antiga de chamar o dia em “tempraneras” clarinadas) Antônio Estarrabachél, “empeza” a lida com o sentar crioulo de basteiras,

  • AS SETE FACES DO POEMA

    Moisés Silveira de Menezes

    A face nua primeira da pampa longe do gado, distante de seus cavalos antes das lanças e espadas.

  • CANTIGA PRA UM VINHATEIRO

    Luís Lopes de Souza

    Gaúcho...! Um baita Gaúcho!! Patrício miscigenado que na inquietude do tempo reza glórias e ressábios.

  • DE GINETES E CAVALOS

    Roseli de Fátima S. dos Santos

    Porque será que uns viventes com acordes bem timbrados vão dedilhando o passado e se olvidam do presente?

  • DESAMOR

    Carlos Omar Villela Gomes

    Gota a gota, afogou o que era belo E eu finei na torre alta de um castelo Que, sem base, foi criado pra afundar.

  • IDENTIDADE

    Diogo Correa

    Eu, não sou eu... Eu sou o campo de exauridas terras, natural riqueza que vai se acabando. Entranhas expostas, feridas abertas,

  • inventário da saudade

    Guilherme Collares

    Rol de bens a inventariar: 20 quadras de campo de baixa qualidade; Casa, galpão e mangueiras muito antigos e mal conservados;

  • NA TAFONA DO SEU DUGA

    Sebastião Teixeira Corrêa e João Antônio Marin Hoffmann e João Adauto da Silveira

    Prás bandas do palmital, onde o sal tempera o chão, Nas manhãs frias de julho a lida desperta o sol, Pr’alguns Joões que a vida, não foi assim generosa, Pois, nesta plaga arenosa, quando opções se consomem,

  • O homem que a Deus esperava

    Francisco Rollof

    Um pealo do Patrão Velho Tirou-me a essência da vida Num sopro firme e certeiro... E aqui estou, solito, confuso...

  • Uma noite pra romance

    Vaine Darde

    De tão clara, a lua cheia acordou o girassol... E a pampa enluarada Se reflete nas aguadas

Osório, RS

15ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • ARMORIAL DE CAMPO E ESTRADA

    Cláudio Silveira

    ...Aos que tem Rumo e Querência - sempre sobram motivos pra voltar!... Pra quem nunca teve norte - pouco importa a direção dos ventos... ...Filosofias de galpão pelas tardes de garoa, De quem nasceu no campo - quando a vivência era a lei maior...

  • Cabriúva

    Carlos Omar Villela Gomes

    O vento vil não me verga Nem quebra a fibra da estampa Que o lombo forte do pampa Um dia viu florescer;

  • CASEREANDO

    Jéferson Rogério Valente de Barros

    O despontar da estrela d’Alva Desfaz o tom de acalanto Do guitarrear milongueiro Da madrugada gelada.

  • Ex-Carreta

    Tadeu Martins

    Viu, Aurélio?, Gaiota deve ser gaiola (sem a travessa no tê).

  • NA FLOR DA PELE

    Adriano Silva Alves

    Tenho uma marca estampada “a flor da pele” Que me difere sem saber dos meus iguais... Tenho essa marca porque já fui índio...

  • NA SESMARIA DE UMA FOLHA EM BRANCO

    Mateus Neves da Fontoura

    O campo aberto de uma folha em branco É terra entregue à inspiração inquieta... É sesmaria onde se planta a alma Quando o sesmeiro teima em ser poeta!

  • O GURI DA GAITA

    Juarez Machado de Farias

    A minha infância residiu Na costa do arroio, Na costa do rio.

  • O Lobisomem

    Luís Lopes de Souza

    Já faz tempo, muito tempo... Visto com certo malgrado enterrei velhos ressábios nos longes deste lugar,

  • Os Vês do Vento

    Fernando Saldanha

    Vem vem vem Vento vem... Vem vem vem Vento vem... Vês...

  • POSTEIRO DOS HORIZONTES

    Jorge Luiz da Rosa Chaves

    Nos sinuêlos risos das luzes do outubro, Quero ser ponteiro a tosar clinudos Com flecos de aurora... Aparar cascos pelas sombras tenras

  • RESTOS DE ACAMPAMENTO

    Rodrigo Canani Medeiros

    Acordei de relancina co’as batidas do martelo me acarcando o pensamento, olhei na volta do rancho

Osório, RS

16ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Fronteira

    Rodrigo Bauer

    Além de todos os marcos, das pontes e das divisas, depois dos campos e cerros que somem sob o horizonte, há uma fronteira cortada que o tempo não cicatriza; nela se ocultam as horas dos amanhãs e do ontem...

  • As Vistas do Coraçao

    Vaine Darde

    Grace Nardes (violino) - Sergio Nardes( teclado) (MASCULINO) Me empresta a luz dos teus olhos

  • Cantos de Taba e Senzala

    José João Sampaio

    Venho das matas e selvas Das pampas e pantanais Das tabas e dos quilombos Senzalas e canaviais

  • Comensal dos Quatro Ventos

    Guilherme Collares

    Amanhecidos silêncios revoam nas asas tristes dos tajãs pelas canhadas... E os espinilhos refletem,

  • Das Solidões de um proscrito

    Mateus Neves da Fontoura

    Com a mesma estrada nos olhos Encerro o dia ao meu jeito... Enquanto o sol, por direito, Se vai apagando as brasas,

  • Ementário da Alma

    Henrique Fernandes

    Morri antes de mim... ...sucumbido neste tempo de vaidades e ganâncias... Morremos eu e a estância... galpão, mangueira e palanque. -arquitetura entalhada nos relicários da alma-...

  • O Julgamento

    Jorge Claudemir Soares

    O tempo aqui é parado, dá a impressão de não andar! O medo vem me espiar pela janela gradeada.

  • O Senhor de Todos os Tempos

    Luís Lopes de Souza

    DEUS... por regra da criação fez o tempo em três etapas... e os chamava de irmãos. O mais velho era o PASSADO!

  • O Velho Testamenteiro

    Carlos Omar Villela Gomes

    O velho testamenteiro abriu quieto o envelope Que exigia sua função... Na sala escura a família, num luto dos bem sentidos, Aguardava o conteúdo do envelope timbrado...

  • Tropeiro de Minha Infancia

    Jurema Chaves

    Guardo na moldura dos meus olhos A imagem de um tropeiro Velho peão carreteiro Que tantos rastros deixou...

Osório, RS

17ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Apenas um Poeta Louco

    Jurema Chaves

    Não me ofereças assim o teu sorriso Pois em mim, não há mais tempo pra sonhar Teu riso ascende em mim tantos anseios Mas a mão do tempo, já me botou o freio

  • As Asas da Poesia

    Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam

    As asas da poesia não têm plumas Mas revoam muito além do céu imenso; Levam junto as raízes do que penso E propagam claridade frente às brumas.

  • Cantigas para Juvêncio Gonzales

    Luís César Soares

    O minuano matreiro timbra os ares com assobios compassados... De carancho, adentra os ranchos nessas invernias xucras,

  • De Heróis e Chacais

    Ari Pinheiro

    Não, Não são minhas estas palavras, Que quando vim ao mundo Nada trouxe de meu...

  • Disparo de Tropa

    Cândido Brasil

    Abre-se a pálpebra do dia descortinando a manhã, bocejando num afã de alumbrar sesmaria,

  • Eu... (Espinho)

    Henrique Fernandes

    Nasci espinho na rama da flor... ...e aos olhos da dor perdi a beleza... A flor colorida, em vida e nobreza e eu... um espinho... destino? -tristeza-...

  • In Memória de um Bravo

    Luís Lopes de Souza

    Não... não será preciso uma estátua de quem foi um monumento sem pretensões simplesmente... Sua memória é um ementário

  • Lenço Branco

    Rodrigo Bauer

    I Eu trago um lenço branco no pescoço... O velho lábaro republicano que vence o posto trivial do pano

  • O ROMANCEIRO DA MORTE

    Luís Lopes de Souza

    Se a pedra ficar polida meu labor não foi a esmo... Quando me for, vou cantando in memória de mim mesmo....

  • Panta do Mato-Panta do Rio

    Moisés Silveira de Menezes

    Quando o sol da meia tarde clareou os sulcos do rosto do andante que chegava, jeito simples, tranco firme,

  • Pra Quem Enfrena um Verso

    Cristiano Ferreira Pereira e Cláudio Silveira

    “...Quando um poeta embuçala... Tropilhas de nostalgia, Quem declama ajeita as garras Para domar elegias...

Osório, RS

18ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Dos Valores da Alma

    Henrique Fernandes e Jadir Oliveira

    Qual é o ponto de partida? A morte ou o nascimento...? Parei pensar um momento Nestes mistérios da vida...

  • Faces

    Jorge Claudemir Soares

    Eu tenho visto muitas faces! Faces de gente que sente, faces de gente que mente, e faces de gente que chora.

  • Faz Tempo Sou Pé de Espora

    Gujo Teixeira

    Venho ao meu tempo senhores contar de um tempo antigo, que nunca vi, nem estive mas que em mim sobrevive,

  • O Grande Espelho da Vida

    Adão Pedro Bernardes

    Um eterno recomeço é isso que a vida é um amontoado de fé onde sorrio e padeço

  • Quando Cordas Pedem Tangos e Milongas

    Luís César Soares

    Num findar de tarde mormacento... Por birra com o angico, o Jacarandá roceiro pulou o alambrado, e foi crescer na beira do barranco abaixo do olho d’água. Queria fazer sombra pra cacimba!

  • Roça Nova – Nova Roça

    Adão Vargas Dias

    Com arado ¨vira-o-ferro¨ E minha junta de bois, Vou romper grama e macega Na capoeira do ¨Repecho¨,

  • Romance de Lua Grande

    Paulo Ricardo Costa

    A noite traz seus encantos... Vestida em ponchos de luz, E a um par de olhos, seduz... Tisnado a prata de um manto...

Osório, RS

19ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Montanha do Tio Anco

    Carlos Omar Villela Gomes

    Meu tio tem uma montanha... É uma montanha encantada! A grandeza da paisagem Contraponteia meus passos,

  • As Mãos do Meu Avô

    Paulo Ricardo Costa

    As mãos do meu avô eram grandes, Com dedos em formas de garras... Enrijecidas na parte adunca dos calos, Desenhavam os mapas da vida...

  • De potros e gineteadas

    Adriano Medeiros e Cristiano Medeiros

    Não sei de onde vem a sina De sair campeando corcovo, Nasceu talvez lá pela Ibéria... Nas mãos ginetas de um Mouro.

  • Dos Memoriais de um Tropeiro

    Luís Lopes de Souza

    Deixem falar o tropeiro pela memória do tempo... Pois o rol de sua memória é um lenitivo de glórias

  • Maçambiques

    Léo Ribeiro de Souza

    - Estou ouvindo os tambores... ... e vem lá do Morro Alto! Cruzam, no mais, o asfalto expressando os seus valores.

  • Minhas Bonecas

    José Luiz Flores Moró

    Costurei bruxas de pano nos partos da brincadeira E eu sei, nesses meus conceitos, de que fui mãe verdadeira Da infância de minhas bonecas ...

  • O Homem Dentro do Espelho

    Bianca Bergmam

    O homem dentro do espelho olhou bem fundo em meus olhos A procurar as respostas que precisava encontrar. Foi passeando em meu rosto a descobrir seus caminhos, Por estes vincos rasgados que o próprio tempo gravou.

  • Pra os que Dão Vida a Poesia

    Sebastião Teixeira Corrêa

    Das gargantas eloqüentes, como o nascer de um teorema, Vai emergindo o poema que o poeta rabiscou, E as mãos... ( a vida no estro...), à modelar, qual maestro, O concerto que brotou...

  • Quando a alma entende o verso

    Joseti Gomes

    O corpo todo se entrega quando a alma entende o verso... ..........................................................

  • Quando o Dia Olha p’ra Dentro

    Cândido Brasil

    O dia vai fechando os olhos e a tarde relaxa o músculo, puxa o pala do crepúsculo e vai cobrindo restolhos, deixando imagens em molhos, ao calor dos raios do sol

  • Soneto das Saudades

    Everton Michels e Robson Fogaça

    I Nos versos longos falta teu cheiro, Na cama só... o calor das horas, A falta inquieta calça as esporas

Osório, RS

20ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Visita

    Guilherme Suman

    Uma visita silenciosa Adentrou o meu jazigo; Com olhos de quem quer prosa Deparou-se, então, comigo.

  • Conserto

    Joseti Gomes

    e Dhouglas Umabel (violino) Paredes entortam quadros, janelas trincam vidraças...

  • Décima para os Olhos da Alma

    Henrique Fernandes

    Se meus versos imperfeitos Se aperfeiçoarem nos netos Neste terrunho dialeto Carregarás o meu jeito...

  • Lagrimas de um Posteiro

    Sebastião Teixeira Corrêa

    Os sulcos fundos das rugas São rios de águas salgadas Que a erosão do meu rosto, Formando um mar de desgosto,

  • Na Pausa da Inspiração

    José Luiz Flores Moró e Ari Pinheiro

    Existem certos momentos Em que a inspiração adormece E o poeta parece Viver um estranho torpor...

  • O Lado Escuro da Sombra

    Caine Teixeira Garcia

    O lado escuro da sombra É o mais escuro dos lados... Transita em meio ao que é certo Mas vive mesmo do errado!

  • O Punhal que Me Feriu

    Adão Quevedo

    O punhal que me feriu, não foi por mão inimiga, nem por ofensa ou intriga... Era inocente o seu fio.

  • Olhares da Alma

    Francisco Carneiro Neto e José Mauro Ribeiro Nardes

    Quando a alma se escancara e abre as porteiras do ontem, Meu olhar busca horizontes pelos rumos que imagino, Sigo no cabresto do tino, rememorando paisagens, E relembro as imagens que eu olhei quando menino.

Osório, RS

21ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Lá no Cerro dos Porongos

    João Antônio Marin Hoffmann

    Assim cresceram os dois, com parescença de irmãos. O branco, fez-se maestro no manuseio da pena! O mulato, mais campeiro, com precisão de doutor No manuseio da faca, fez graduação no carneio.

  • Monólogo de Passagem

    Luís César Soares

    “Meus pés inquietos Dançam a milonga do vento, Ventito morno, vaqueano de tormenta... Essa tropilha de nuvens cinzentas

  • O Mistério da Flor Amarela

    Jorge Claudemir Soares

    Fiz um mate bem cevado desses ditos “de patrão”, pra acalmar o coração e remoer os pensamentos,

  • Sob os Olhos Vendados da Justiça

    Sebastião Teixeira Corrêa

    I Tira tua venda ó Deusa da justiça E olha nos olhos dos teus magistrados, Vejas o quanto que andam degradados

  • Um Rio de Saudade

    Adão Quevedo

    Minha visão é tão clara quando recordo de ti, fisgando algum lambari num caniço de taquara.

  • Um Velho Taura, Recém-Nascido

    Caine Teixeira Garcia

    Voltei... ...me aguarda a tolderia de um poncho! De suas baetas escorrerão penas Que hei de colher nesta vida,

  • Vestida de Prenda

    José Luiz Flores Moró

    Vestido moldado na extirpe gaúcha, Em mescla de bruxa e estampa monarca, Eu trago um Rio Grande bordado entre as rendas E a raça da prenda sem dono e nem marcas!

Osório, RS

22ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Poesia e a Milonga

    Érico Rodrigo Padilha

    As madrugadas alcançam as minhas rondas de insônia, Perdi a soma das contas que já varei noite à dentro, O mate quebra o silêncio desse ritual costumeiro, Ouço um grilo seresteiro contraponteando a guitarra

  • Almas Antigas

    Jadir Oliveira

    Quando me recosto sorvendo um amargo andejo lonjuras, sem sair do galpão... Meus olhos de campo se viram pra dentro,

  • Lírica

    Carlos Omar Villela Gomes

    I Um mundo de silêncio e pedra bruta Jazia sob as nuvens carregadas; No sangue, que verteu de tantas lutas...

  • Meu Galpão ao Meio Dia

    Mateus Neves da Fontoura

    Mansas corujas descansam Nos cernes dos contramestres E as horas até que parecem Se espreguiçarem pacholas

  • No Fim... a Poesia

    Henrique Fernandes

    CANTATA: Se eu não sei onde ir Não vou a lugar algum Peço a benção aos Orixás,

  • O Encontro

    Adão Pedro Bernardes

    Esta noite te esperei mas que doce e longa espera já deixou de ser tapera meu coração eu bem sei

  • O Lobo

    Rodrigo Bauer

    I O lobo que há em mim está dormindo, mas tem ouvidos bons e sono leve! Espreita, pelas sombras, quem se atreve

  • O Poeta de Rua

    Adão Quevedo

    Morreu o velho Sobral... Que pena, que judiaria... Nunca mais a poesia terá outro poeta igual. Ele era o menestrel, dos mendigos, dos sem nada. O que alma lhe ditava, nem precisava papel,

  • Remorsos

    Caine Teixeira Garcia

    Ressona a estância... Meus devaneios, não! Sobrevivo assim, num purgatório reflexivo... Travo embates - em meus adentros

  • Romance de um Despeonado

    Sebastião Teixeira Corrêa

    Ao despeonar-se, Juvêncio, juntou as tralhas que tinha, Poucas relíquias guardadas numa vida de ilusão: Aperos de montaria, facas de aço, forjadas, Cordas campeiras, trançadas, pra lidar com redomão

Osório, RS

23ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Casa do Poeta

    Vaine Darde

    Não sou poeta! Mora em mim um louco que tem crises de roseira em gestação,

  • Batalha

    Mateus Neves da Fontoura

    O frio que me corre a espinha percorrendo o corpo, Que me gela os ossos, o espírito e que me escarnece a alma.... É o gêmeo calafrio ... O arrepio-irmão da arritmia que me aquece a carne! Enquanto a boca me insiste em salivar as fantasiosas divagações de noite e calmaria... lembranças de um tempo que está logo ali, parece ontem!

  • Dona Branca

    Suelen Mombaque Schneider

    A casa emudeceu-se... A sinfonia do chiar da chaleira Calou o mate que não mais roncara.

  • Epígrafos de Vida e Tempo

    Paulo Ricardo Costa

    Coloquei reticências nas frases da vida, Por saber que a vida não tem ponto final, E refiz as metáforas de palavras seguidas, Seguindo o caminho do meu próprio ideal.

  • Eu, Também Rio Grande

    Djalma Corrêa Pacheco

    Pra mim, O sol não desenha silhuetas do galpão Quando a noite engole o dia. A boieira não se esconde na coxilha

  • O Sorro e a Lua

    Leandro Araújo

    A noite calma e serena Nos toca seus magros dedos. Vultos por entre as sombras Perambulando seus medos

  • Os Bens

    Rodrigo Bauer

    Há bens que a gente não guarda no cofre nem no galpão... Não são passíveis de compra, de venda ou avaliação! Não há como compará-los com outros bens em questão... Só são visíveis aos olhos da alma e do coração!

  • Pingo de Corredor

    Matheus Costa

    Na volta da encruzilhada vão quatro sombras adiante. Pastando a lua minguante num espelho de banhado.

  • Pra Quem Tem Alma de Campo

    Sebastião Teixeira Corrêa

    Nasci no campo, como nascem tantos outros, Ouvindo os potros em relinchos, de retoço, Os sons da vida nas vozes da natureza E a correnteza do arroio, antes do poço

Osório, RS

24ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • Cada infância com seu tempo

    Léo Ribeiro de Souza

    Te bombeando, assim, dormindo, neste quarto decorado, fico horas ao teu lado te acariciando e sorrindo.

  • Dinastia Missioneira

    Chico Fontella e Rodrigo Lopes

    Vou teimando em fazer versos Em soltar minha alma inquieta Porque a sina de ser poeta Eu trago por dinastia

  • Don Giovanni, imigrante

    Danilo Kuhn

    Sua alma içou velas em busca de um novo cais. Tantos sonhos, tantos ais, guiados pelas estrelas...

  • Entre perfumes e risos

    Joseti Gomes

    Na penumbra do salão eram risos que falavam e desfaziam contratos desses de fios de bigode.

  • Eu e o meu tambor

    Carlos Omar Villela Gomes e Bianca Bergmam

    “ Abrindo nossos trabalhos Pedimos a proteção Ao nosso Pai Oxalá Para cumprir nossa missão.”

  • Gaúcho de fato, e me vou

    Guilherme Suman

    (I) Gaúcho apenas, num fundo de mundo, Num pátio de pátria ao sul que há no sul. Num naco de pampa, um longe que há,

  • O campo que trago

    Henrique Fernandes

    Resvalo a mão na testeira de um preparo de trança chata, de corredor e arremate feitos com a lonca da zaina,

  • Porteira chora pra o vento

    Matheus Costa

    Porteira chora pra o vento, assim como a sanga clara conduz seu lerdo lamento aos pedregulhos ribeiros…

  • Um olhar para a tropa

    Edson Marcelo Spode

    Extraviando o chão sulino Em cada sentar de cascos E o costeio dos carrascos São a sua única guarida

Osório, RS

25ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • As Queixas do Laço Atado

    Matheus Costa

    Balbuciou o laço atado seus queixumes e lamentos enquanto preso nos tentos d'um cristão enforquilhado.

  • As tesouras de Dom Valter

    Alcindo Neckel

    O tempo que penaliza vem desprovido em si, num viver que ironiza a decadência do fim.

  • Atavismo

    Léo Ribeiro de Souza

    Trago ao reponte um destino, um fado, e que me prende a cultivar raízes correntes de aço, grilhões bem cadeados silenciosos, densos, invisíveis.

  • Certos Homens

    Juarez Machado de Farias

    conhecem a terra que se esconde no chão de suas botas. Conhecem a semente que brota no campo a fora da existência,

  • Mãos de Anjo e Domador

    Loresoni Barbosa

    CONHEÇO UM PAR DE MÃOS CALEJADAS DE ESPERANÇAS, AMPARO DOS MEUS SEGREDOS, DOS TEMPORAIS A BONANÇA, QUANDO A ESTRADA ME CARREGA PARA SEGUIR UMA TROPA, SÃO O ADEUS NA PORTEIRA, O ABRAÇO PRA MINHA VOLTA.

  • O Pouco Fala

    Arabi Rodrigues

    Já fazia um “ano e pico” que aquele “quilinudo”, deu “o-de-casa” na frente da fazenda do seu “Juca”.

  • O que Haverá

    Jadir Oliveira

    O que haverá por detrás do homem? Quais os mistérios que sua alma tem? Quem saberá para onde caminha? Quem saberá de onde ele vem..?

  • Ofício de Benzedeira

    Joseti Gomes

    Dona Antônia faz a reza, Que a gente quase não ouve, Porque nasceu noutro tempo… Dona Maria dos chás

  • Poema de Luz e Céu

    Danilo Kuhn

    Palavras de luz e céu despontam no horizonte da aurora dos olhos teus... Sou menos noite que antes;

  • Regresso

    Henrique Fernandes

    Longe de si e dos seus A vida passou num upa. O tempo cobrou- lhe o preço Na distância das estradas.

Osório, RS

26ª Sesmaria da Poesia Gaúcha

  • A Dança dos relógios

    Bianca Bergmam

    Foi há muito, muito tempo, Ou quem sabe, ainda nem foi... Muito pó e pouca vista a confundir os olhos

  • A semente e o cimento

    Carlos Omar Villela Gomes

    Eu sou apenas palavras Pelas palavras de alguém; Eu não respeito ninguém, Apenas semeio o nada.

  • Dona Cucha e a casa dos Leões

    Luís César Soares

    O ipê semeando flores ao vento… O tranco lerdo do cavalo… A carrocinha… O leiteiro… Minha mão junto a mão de meu pai,

  • Entre as rendas dos vestidos

    Joseti Gomes

    A mão que costura os panos também recorta da história os remendos pendurados na imensidão da memória.

  • Náufrago de mim

    Danilo Kuhn

    I. No meu universo, extremo, feito um barco sem remos,

  • O cheiro da Noite

    Otávio Severo

    I Extraiu dos matos a fragrância casta respirando ventos em lufadas vãs,

  • Oração do poeta

    Cândido Brasil

    Em nome da pauta, da pena do poeta, da mente inquieta e da alma incauta, do real e além, do verbo e do canto, do Espírito Santo da Poesia, Amém!

  • Sinchaço

    Henrique Fernandes

    Brandia o vento no campo salmodiando um canto triste num preludio de saudade... A capa emaladita

  • Sombra copada

    Matheus Costa

    Busquei na sombra copada que existe no olhar dos meus, um pouso para a jornada que por diante se estendeu;