Alma em Verso
Poesia

03 - Tudo Vale a Pena - Sebastião Teixeira Corrêa

Sebastião Teixeira Corrêa

15º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em

Se todas as penas Fossem apenas pena de quem tem piedade... Se todas as penas Fossem apenas pena pelas dores expostas, Ou pela perda de algumas apostas, Ou por ter passado uma oportunidade... As penas que dão pena São apenas o dó de quem sofre ou já sofreu Por algo que entendeu poder mensurar a dor;

Porém, existem penas Maiores do que as penas que expõe nossas feridas, E uma das penas mais doloridas É a pena de não termos nesta vida um grande amor. Há penas que são sentenças, Mais leves ou mais intensas, Mais curtas ou mais extensas, Que, às vezes, por influências Sofrem profundas mudanças, Dependem das circunstâncias E de quem as determina; E, ao final, há um veredito, Cujo teor do escrito Sempre há uma pena que assina! A pena que marca a “sena”

Na mão humilde e ingênua daquele que busca a sorte, Pode ser a mesma pena Que chancela e que ordena a extrema pena da morte. É a leveza das penas que faz a ave voar, E o colorido das penas que serve para adornar; As penas mais pequenas são as que revestem os ninhos, Na maciez da plumagem , aquecendo os filhotinhos A vida dá, por regalo, a quem vive a duras penas O fel , que ao sorver, amarga a solidão das “cadenas” A pena dos apenados nem sempre é a pena mais justa... Se o julgamento é errado, uma vida inteira custa; É pena que muitas vezes não se pode reverter,

E assim, quem julga e condena, não adianta arrepender Num travesseiro de penas dormi os sonos da infância, Ouvi doces cantilenas na solidão de uma estância, Onde a seriema empenada, na copada de um pinheiro, Chora penas no seu canto, pra chamar o companheiro Vi muitas penas pequenas em proporção ao delito, E tantas penas extremas por simples dolo ou conflito Sei que a justiça terrena faz muitos juizos falsos, (Cede ao poder de influentes)

E como fazem ‘‘as serpentes, sólo picam a los descalzos” “Teniendo rancho e cavallo, são mais levianas las penas” Disse Athaualpa em seu canto, que me serve de acalanto Quando a sorte se apequena E na razão que eu encilho, enfrento qualquer ventena, Sentado sobre o lombilho, empunho a Cruz de Lorena Que herdei do índio Sepé lá na terra Missioneira, Meu amuleto de fé - É meu escudo e trincheira! Confio em Deus das alturas e no seu Filho Jesus, Na fé que move estruturas e no poder da Santa Cruz. Busco a Divina Trindade pra alívio de minhas penas,

E creio que a humanidade chegará à eternidade Com alma leve e serena. Vivemos um novo tempo (nem Esparta, nem Atenas), Busquemos ser mais felizes (mais irmãos, menos juízes), Com emoções mais amenas, De espirito desarmado (compreensão e não condenas), Pois nem sempre a solução está no peso das penas... Por isso entendo que as penas (sejam grandes ou pequenas), Jamais vão nos abater, E que devemos viver nesta passagem terrena Com amor no coração, e a plena convicção de que a vida vale à pena !!!