Alma em Verso
Poesia

A idade do couro

Gujo Teixeira

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Quatro séculos de distâncias, de invernadas e de campo Sesmarias de senhores legadas a timbres de leis Vacarias estendidas nestas bandas da fronteira Quando o Rio Grande era grande, depois dos mandos dos reis.

Gado alçado em pastoreio na extensão da campanha, Onde o cio das primaveras apartava seus rebanhos, E aumentando ano a ano na dimensão desse pampa Foi despertando a cobiça, ao gado, couro e seus ganhos.

Changadores bem montados, cuscos na escolta guerreiros Cercavam algum rodeio, lotes de potros e vacas Bolhadeiras de três braços para algum tombo certeiro Ou meia-luas de lanças, antes do golpe das facas.

Desjarreteavam um novilho, pelo fio das meia-luas Depois sacavam-lhe o couro no aço das carneadeiras Deixando para a corvada carcaça e rastro de sangue, Marcas de fogo grande nos pousos, rondados noites inteiras.

Cruzavam Pampa e Plata no desmando das fronteiras Riscando um novo rastro no mapa do seu carnal O tempo secava os couros nas estacas de branquilho Depois seguiam arrastados pra lá da Banda Oriental.

Com o tempo a marca nos couros foi demarcando Estâncias Sesmarias de senhores repartidas nas heranças Quatro séculos de invernadas, de campo e distâncias e o mesmo couro segue firmando essa história no último tento da trança.