O Menino e o Pirilampo
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Fui menino sonhador Criança criada em campo E o que mais me encantava Era a luz do pirilampo.
Mil vezes me perguntei Naquele inseto que eu via De onde vinha sua luz, qual a fonte de energia?
Lá no ponto mais escuro De quando em quando piscava Eu corria pra pega-lo E ele sempre me escapava.
No coração do menino Morava um certo ciúme Por que que eu também não tenho, brilho igual ao vaga lume?
Com certeza alguma estrela Parada no firmamento Desejou ter tuas asas Pra voar junto com o vento.
Quando te engole, o algoz Sapo do brejo gorducho Captura tua luz Para iluminar seu bucho.
Quantas vezes por maldade Tentando achar teus segredos Te obrigava a brilhar Com a pressão dos meus dedos.
Das noitadas veraneiras Uma saudade me bate Dos vaga lumes piscando Em meio as rodas de mate.
Sobre o tapete do campo O brilho da sua chama Parece que são estrelas Esparramadas na grama.
Sinceramente entristeço Quanto piá não te viu E nunca sentiu a magia Do mini farol sem fio.
No terreiro, no arvoredo Ficavas vagando a tôa Hora piscava na horta Outras vezes na lagoa.
Pirilampo, pirilampo Insetinho de Jesus Só mesmo a graça divina Pra te abençoar com luz.
E talvez seja por isso Que todo o piá do campo Carrega dentro dos olhos O brilho do pirilampo.
Ao findar essa jornada E a existência tiver fim Quero levar o teu brilho Piscando junto de mim.
A conclusão do meu mundo Reflito e vejo com calma Sou criança da campanha Com pirilampos na alma.