Alma em Verso
Poesia

Fragmentos da Cruz

Adriano Silva Alves

I Garimpo da Poesia Gaú cha (Virtual) - S. J osé do OuroPublicado em

Um resto de noite na idade dos olhos tingidos de luz...

Um Cristo ao avesso, e um novo começo pra os braços da cruz.

O braço direito, guardava o respeito do aço de um grampo A mão que sangrava, a boca calada, guardando seu pranto.

No lado esquerdo, o grampo e o segredo de alguma oração O próprio silêncio, pulsando num peito, sem ter coração.

O grampo nos pés, a forma da fé, outro grampo inda exangue Guardava a cor, dos passos na cor Tingidos de sangue.

E hoje essa cruz despida de um Cristo E o que muito reflito, nas horas de humano Sem ter um algoz, sem ter uma voz Pra quem não me escuta... Sabendo ser justa a injusta verdade, a própria verdade que guarda a conduta.

E eu por cristão, de joelhos ao chão Me entrego a um altar Me permito falar, das coisas do mundo De um tempo fecundo, de horas tão belas Depois das janelas Dos ranchos vazios E as estrelas num rio Qual tocos de vela.

Eu ... Eu tendo uma cruz de braços abertos Ali me confesso na imagem em respeito Do lado direito, a mão sem feridas Do lado esquerdo, a forma da vida Os pés sem o sangue, apenas o andar E eu por rezar, minha triste oração Me vejo na luz, feito um Cristo na Cruz Na sombra do chão.

E então inda penso, ser um fragmento dos tantos do tempo Eu, ser tão pequeno, de avessas vaidades Entregue as saudades das coisas que tenho.

Eu, depois de rezar, que aprendi chorar de joelhos no chão Compreendo no olhar Que a dor do chorar, redime um pagão.

E então que assim seja Que a cruz me proteja E que seja assim Em nome do pai Em nome do filho E a paz desse filho Que vive ainda em mim...

Em nome da cruz Em nome da luz Daquilo que tem Um homem cristão, de joelhos ao chão E a alma também Buscando por luz Em nome da cruz De um Cristo, amém...