Conservando a Tradição
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Um dia um peão já velho, Destes curtidos dos anos, De alegrias e desenganos Que arrebanhou tempo a fora, Sentia chegar a hora Do seu último pedido Chamou o filho querido E disse com a voz sonora:
- Meu filho chega bem perto Para escutar o que te digo, Pois mais que filho és um amigo Por isso presta atenção, E escuta meu coração Que te fala com certeza, E veja quanta beleza Que existe na tradição.
Tradição não é grossura E nem vergonha p'ra gente, Pois tu deves ter na mente O ventre que te gerou, O berço que te embalou Pois não nasceu da macega, Honre o sangue que carregas E a raiz que tu brotou.
Por isso quero pedir-te Mais que um pedido, um favor: Que tu sempre dês valor Para as coisas do nosso Estado, Procuras estar ao lado Da justiça e da razão, Nunca esqueças a tradição Que herdastes do teu passado.
Nunca deixa deturparem As coisas aqui do pago, Das pilchas ao mate-amargo Ouça o que este peão te diz: Aí ficarei feliz Se aprenderes a lição, Que o povo sem tradição É um povo sem raiz.
Olhes bem, quando mateares Veja que linda comunhão, A cuia de mão em mão Sem preconceito ou vaidade, Traduz a simplicidade E as tradições deste Estado, Onde o cru e o letrado Vivem na mesma irmandade.
Procures estar presente Nos movimentos gaúchos, E saibas agüentar o repuxo Quando a situação exigir, Nunca penses em trair As causas tradicionais, Pois a glória de ancestrais Sempre há de ressurgir.
Olhe sempre ao teu redor E veja quanta beleza, Que a nossa mãe natureza Te deu sem nada cobrar, Então deves preservar Com carinho e com afeto, Um dia teus filhos e netos Também irão desfrutar.
Por isso que te chamei Para conversar contigo Atendas este teu amigo E ensina teus descendentes, A levar sempre p'ra frente As epopéias caudilhas, Como fizeram os farroupilhas Defendendo nossa gente.
O pouco que preservares desta glória e galhardia, Será de grande valia Para futuras gerações, Que aprenderão as lições De práticas e de destrezas E saberão as grandezas Destas nossas tradições.
Se atenderes meu pedido Com orgulho, raça e fé, E manteres sempre em pé As coisas aqui deste chão. Aí te darei a benção E posso até morrer sem luxo Pois, enquanto houver um gaúcho, Não morrerá a tradição.