Minha Herança
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Eu sei que nesta minha vida De trovador campesino, Tenho que seguir meu destino De peão humilde e sem luxo. Mas agüentando o repuxo Sem nunca correr de grito, Pois acho o verso bonito Quando escrito bem gaúcho...
Não tem noite, não tem dia P'ra mim andar campereando, E a inspiração vou tropeando Na invernada do peito. Sempre com calma e com jeito P'ra não cair do cavalo. Mas sempre no pago falo, Nos versos que tenho feito!
Pois estes versos bem simples Fáceis de ser entendidos; São como peões reunidos Para fazer campereada, E juntar na invernada Letras que são bois desgarrados. Mas que depois de ajuntados Ficam uma tropa formada.
E é no trançar de uma poesia Ou no laçar de uma estrofe, Que às vezes o poeta sofre E se enrosca na espora. Mas se solta sem demora E tudo vai ajeitando, A rima sai corcoveando Que nem potro campo fora.
Não gosto de falsidades Nem de peão bajulador; E procuro dar valor Para aquele que merece. às vezes rezo uma prece P'ra quem vive com maldade, Pois quem faz a caridade O patrão velho não esquece.
Minha alma é a caneta Defendendo o que é da terra, Mas nunca vou propor guerra Pois sei o que é direito; A tinta p'ra mim tem proveito E o papel muito valor, Escrevo com qualquer cor Pois não tenho preconceito...
Minhas rimas correm o pago Como um peão domador, Que para muitos tem valor Pela altivez, pelo porte, E correm de Sul a Norte Parando em qualquer querência. Mostrando sua procedência E a fibra de um índio forte.
Não quero ganhar fortunas, Pois não escrevo por dinheiro, Minha mente é um potreiro E até onde a idéia alcança, Tem tesouros de esperança Que ninguém vai destruir, E tudo o que eu construir Deixo a vocês como herança!...