Alípio Ferreira
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Quando São José do Ouro À Lagoa, pertencia, Um índio por lá vivia Sua velhice intretendo Quase de tudo, fazendo, Antes que a força minguasse E o cansaço pialasse Para a morte lhe vendendo.
Chamava-se Alípio Ferreira O referido vivente Que andava constantemente Gineteando uma petiça Animal que o próprio tica Se lhe obrigassem montar Preferia até rezar E assistir a Santa Missa.
Na velha casa Queimada Onde covarde não ia O gaúcho aparecia No bolicho do Florêncio Bebendo canha em silêncio Deixando a garganta nova Pra mais tarde numa trova Dá uns puaços no Terêncio.
Numa gaitinha floreada Portadora de oito baixos O velhodava esculachos Em calo que mui rinhava Espora e crista cortava Pois tinha sobra de raça Se apoderando da taça Quando um bugio sapecava.
Ginetear um aporreado O mulato tinha gosto Brilhava o moreno rosto Numa buenacha risada Porque daquela gineteada Era o que mais entendia Por isso se divertia Do espanto da peonada.
Na marcação de dois bravos O patrão deixava dito Não vindo aquele negrito Nem mexam com esse gado Pois estou conscientizado Que peão igual ao Ferreira Se existisse na fronteira Hoje chamariam de finado.
Com seu facão campeiro O guasca pintava o “sete” Deixou índio sem topete Quando em novato peleou Muito rancho farquejou Desde a parede ao girau E lombo de quera mau A pranchaços, alisou.
Bombacha de pano grosso Feitio de china purquéria Cobria a bota gaudéria Fazendo vento no chão A espora no garrão Num costumeiro tinido E um maragato estendido Orgulhando o gauchão.
Rapadura em maço grande E uma cancha mui macota Que da costa do Pelotas Transportava de bruaca Vendendo em bodega fraca Comum lucrinhomichado Porque os cobres retovados Se intrigam com a guaiaca.
Seu crioulo mui bagual Parecido com um tição Na hora do chimarrão Ou golpeando uma cachaça Tragava aquela fumaça Que se igualava ao prazer De pro rancho recolher Uma chinoca lindaça.
Com setenta e lá vai chumbo Um dia sentiu quye estava Uma china começava A negaciar sua vida Sem armas, aquelça atrevida Mas peleando no mistério Lá num xucro cemitério A gauchada é vencida
E o nosso velho Ferreira Que não perdia pra nada Se entregou para a aporreada Que o levou como o Sepé Bem longe de São José Para um estranho rincão Onde um dia, xiruzão, De te encontrar tenho fé.