Alma em Verso
Poesia

Mãe, Simplesmente...

Antônio Dirceu Barbosa

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Mãe, no mistério salgado desta lágrima teimosa Volta um garoto moleque, querendo brincar No teu colo... Sinto que a hora é de ficar alegre, E nem sei porquê tombou dos olhos Para os lábios esta lágrima impertinente... Talvez a tênue lembrança Da segurança inviolável do ventre, Quando eu era passageiro De teu barco encantado, É que tenha feito estremecer minha estrutura De homem e povoeiro... Quando mão estranhas se fizeram tesoura Cortando nosso laço mais sagrado, Teu sangue quente, Transmutado na brancura do leite Regou de vida o rebento novo Que de ti surgiu... Quando em noites de vigília O mortenho fantasma, Sintoma de febre por vezes rondava, Teus lábios quentes Quais espadas nuas, afugentavam sempre O extertor febril!

Primeiras palavras, primeira reza, Balbuciada oração pelo meu futuro... Nos primeiros passos e primeiros livros, Separações pequenas de quem vai pra vida... Cá fora o mundo pareceu tão grande, Que desejei voltar ao materno abrigo...

Mas tua sombra larga e sorriso franco De anjo tutelar a mostrar caminhos, Disseram que a vida é desafio eterno E quem tem mãe, nunca está sozinho...

A grandeza altiva das mulheres mães Teimosas pioneiras em ditar lições, Nos faz cativos de antigos laços Nos caminhos de volta Ao interior de nós... E aqui me encontro, mulher bendita Mirando cabelos de grisalho ondular, Qual mãe de Jesus, que se fez mãe de muitos, Sem medir esforços, sem capitular... Perdoa mãe, eu esqueci como se reza... Mas na faina diária de buscar o pão Me embretei no tempo, que afinal, chegou... E na minha angústia, por chamar por ti, Lembrei chorando da primeira reza... - Bendita sois vós Entre as mulheres... Mamãe!