Alma em Verso
Poesia

Faz de Conta

Apparício Silva Rillo

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"Faz de conta, mulher, que o pão de forno é daqueles leitão que nós criava no rancho de posteiro que deixemo quando a estância do patrão foi-se a la cria pra mão duns gringo cheio de dinheiro...

"Faz de conta que o pavio a querosene é a estrelita boieira que alumbrava as noites de Natal do fim de campo onde havia aquele rancho que fizemo quando juntamo os trapo e se amiguemo...

"Faz de conta que esta 'vila' na cidade, trepada neste morro — o rio lá embaixo é um presépio de caixões e céus de lata com meninos Jesus que não conhecem o leite que há de sobra pros terneiros...

"Faz de conta que tamos todos juntos, nós e os filho, e aquele do retrato que morreu tão minguado e tão magrinho que nem careceu de caixão, o pobrezinho, e eu enterrei numa caixa da sapato...

"Seca os óio, mulher. Que nossas cria não te vejam chorar, pois choram juntas. Corta em fatias este pão de forno para o nosso Natal de faz de conta neste rancho de lata, aqui no morro..."