Romance do Peão Pobre
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Toca o tropeiro o matungo fazendo a ronda ao passito, lembrando um rosto bonito que na memória se estampa, enquanto a noite do pampa veste de luto o infinito. Ronda braba. Noite escura. Mas nos longes da retina o vulto amado da china. Trançuda, a dona, e morena, tira-balda de ventena num olhar de relancina. - "Cambicho por moça é visgo pegador de passarinho, e o taura cai direitinho, se prende à toa e se gruda e por mais que se sacuda fica peleando sozinho. - "Não adianta força bruta quando o destino provoca. Um bem-querer de chinoca nos piala de cucharra, dentro da gente se agarra que nem peludo na toca. - Vontade? Bem pouco adianta, bem pouco serve a razão. A cabeça diz que não mas, embora a negativa, quem tem mesmo voz ativa é o louco do coração. - Casar com quê? - se pergunta, não acha volta e se intriga. É que nunca teve liga pra juntar duas patacas, só lhe servindo a guaiaca pra apresilhar a barriga. É preciso pilcha nova para a função do casório. Pois é corrente e notório que pro noivo é exigido que se ponha bem vestido que nem defunto em velório. - Morar adonde? Lá fresca, que a coisa mais se complica! A pinguancha não é rica mas merece travesseiro, que mulher não é tropeiro que em qualquer couro se estica. - E se fosse só a pilcha, se fosse só a morada... Pior é a dura topada de pedir a mão da cuja, e o velho é um taita rabuja metido a venta-rasgada. - Peço a moça, e o velho nega, eu insisto, e ele me grita. E por esta luz bendita que não guardo desaforo - derrubo o mango no couro desse velhote gasguita! Derruba o mango, de fato, mas na testa do picaço, que ao receber o mangaço se espanta, bufa e arranca - e o índio sai pela anca quase quebrando o espinhaço...