Romancinho
Publicado em
“Em Caminhos de Viramundo. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1979”
Mirava a lua no açude. E quando n'água bulia a lua toda de prata toda em prata se partia.
E ele ria, ria e ria...
Era louquinho, o guri. Não vinha bulha por si senão quando, em noite clara, lá na lança das taquaras se espetava a lua cheia.
E quando a lua, serena, vinha banhar-se no açude, já o encontrava na taipa crucificado de frio.
Não tinha engodo nem ralho que o arrancassem dali. A mãe cansava, e se ia. E a gaita da saparia se cortava quando ria seu riso claro, o guri.
E brincava noite a dentro de quebrar a luta em prata. Brincava até que dormia. E então a lua se ia devagarzito dali, pra se banhar noutro açude, brincar com outro guri.
Uma noite o gurizito grudou no sono, mui rente das bordas falsas da taipa. Caiu n'água e se afogou. Foi esta a vez derradeira que a lua toda de prata toda em prata se quebrou...