Romance da Velhinha das rendas de bilros
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Então, seus olhos negros, negros, Foram das lágrimas a fonte. Seu corpo em flor de mocidade, Foi se sumindo na saudade... Como o guerreiro no horizonte.
Seguiu fazendo a sua renda Como quem borda uma oração. Como os bilros tece a linda história Daquele outubro da memória Em que o prendeu no coração.
Aquele outubro... tão presente Mesmo tão longe na distância; - No olhar fulgia uma centelha, no peito o aroma e a flor vermelha da vida ardente aos sóis da estância.
Sofre a pensar... Nem foi possível ao bravo em marcha ao campo-santo condecorar no último ensejo: - dar-lhe a medalha do seu beijo, e a cruz-de-guerra do seu pranto!
Tece... revive o belo e bravo Perfil que o tempo não destrói. Lembra... No enlevo que não cansa: - Valente... moço... uma criança, para ir morrer como um herói!
Na casa velha do rincão Tece a velhinha centenária Com bilros trêmulos a renda. Jóia de fios, primor de prenda De perfeição já legendária.
São cor de luar os seus cabelos. Pálidas mãos de senectude. Tramando os fios, ponto por ponto, Pra si mesma escreve o conto Da romanesca juventude.
Há quantos anos que trabalha Quase a lidar maquinalmente! Seu pensamento está distante, Porque parou no antigo instante Em que foi noiva de um valente.
E ele partiu... fogoso o pingo, Entre guerreiros, num tropel. Tão moço... um gesto ainda acenando! Se era galhardo, galopeando Junto do jovem Coronel.
Longe... Sumiu-se no horizonte, Ao sol brilhando a lança e o apero! Depois... Batalhas... E as notícias... Morto o tenente de milícias -Um leão no bárbaro entrevero!