Alma em Verso
Poesia

Benzendo -Vítor Bielaski

Vítor Bielaski

VIII Esteio da Poesia GaúchaPublicado em

- Vem gente! Pra que será? - É esporão minha filha! Me traz um carretel de linha E um retalho de tecido Pelo andar do seu Quintino Só a novena para curar!

E eu saía atrás dos jujos Dos atados, dos preparos Que a vó mandava buscar Para aplicar benzedura Que sempre oferecia a cura A quem viesse buscar.

"Nervo rendido, osso ofendido, Veia lacerada…" Ela benzia com cruzadas E costura espiritual. Três rezas de sexta-feira Viradas para a porteira Completando o ritual.

"Cobreiro grande, Sapo brabo! Corto a cabeça e corto o rabo. " Com um copo de água Antes do pôr do sol Arruda, mel com bicarbonato E uma pitada de sal.

Encalho pesado, Coluna estragada Caxumba recolhida E qualquer mal que apareça Eu corto o rabo e a cabeça Que não cresça e nem permaneça! Completando o ritual.

Asma e bronquite, Gripe e sinusite E problema da goela, Salmoura quentinha E travesseiro de macela Resolvem de vez.

A cinza do borralho Cuspindo três vezes Dizendo o que quer A cruz sobre as cinzas E o "Gracias, vozinha, Pela cura outra vez!"

Arruda e funcho Levam para longe qualquer maldição Quebranto e mal olhado, Maçanilha em atado E chaleira no chão.

É a reza que nasce Da fé e da crença Do amor e da benção Dados com o coração.

Assim eram as tardes Quando a avó benzia O povo que vinha pedir oração.

O sinal da cruz, pedindo a benção E as lindas palavras que ela dizia Sempre tinham O mesmo responso do sinal traçado Com as suas mãos macias… Que o bem permaneça e o mal desapareça! Em nome de Deus! Do Espírito Santo! E da Virgem Maria!