Buscando Flores
Mauro Ubiratan Pereira da Rosa
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Quando o outono dos meus dias anuncia que as flores rubras do meu ser se frutificaram eu te contemplo com o olhar que tinha outrora pelas chegadas e partidas do passado.
Eu fiz Morada de mim mesma, tanto tempo que me esqueci como seria ser distância... por tantas vezes, com cortinas e lençóis, tapei os sóis para alumbrar a tua ausência de revoadas em busca de ser liberto.
Tive rapinas a voejar pelo meu céu sempre lhes dei um olhar de indiferença pois possuía junto s plumas do teus carinhos nos descaminhos, a aquecer tua presença.
Vi revoadas de crepúsculo e alvorecer que se anunciavam em sonoras sinfonias. Me aninhava no sofrer da tua partida e me alegrava no esplendor da tua chegada! De florescência e desfolhar passei a vida.
Nunca pensei em desbravar essa janela pois minha cela me fazia protegida, me confortava o calor desse teu braço e os filhos vinham aliviar as despedidas.
Meu voejar sempre se deu pelo alimento pelo sustento das crias e do ninhal não pretendia desbravar outro horizonte pois minhas cortinas e meus lençóis te esperavam... não tinha olhares para verdes e florais.
Porém agora, que os brinquedos e alaridos, me abandonaram para migrar a liberdade... a solidão desse silêncio atormenta, de ir ao sol e ver a lua, deu vontade!
Uma coruja me contou das pradarias... das oratórias semeadas de pensamentos dos silvos vários bradando filosofia “a vida é mais que ser morada...” disse ela, “salta à sela, vamos ver outra alvorada!”
Eu vou em busca dos perfumes das palavras e não dos lábios... Não quero ser beija-flor! Vou dialogar com as visões de outros olhares eu quero pares! Nem tutelo... nem tutor!