Naquele Bolicho
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Restou um cavalete e uma cuia extraviada,... Um rolo de fumo, uma yerba mofada,... Uma boneca de pano e uma palha sovada...
Restou um pensamento na mesa de tábua... Um jogo de truco, culo ou suerte na tava! Um partidor de saudade na cancha trilhada E uma parelha de vultos, esperando a largada...
Naquele bolicho – de paredes rachadas – Restou um silêncio perdido nas horas,... Um relógio de bolso e um par de esporas... Um gato caduco que esqueceu de ir embora.
Naquele bolicho – nos confins da querência – Uma poeira de ausência na mangueira de pedras... Um jasmineiro – cheiroso – perfumando a tapera E a ilusão – imponente – de um palanque na espera!
Restou um calendário com os dibujos do Molina, Um frasco de OLINA e uma “caneca alouçada”, Uma garrafa vazia e uma pipa sem água,... Um suspiro, uma tosse de um fantasma com asma...
Restou um pandeiro e uma gaita furada, Uma mão imaginária batendo no balcão! Outra mão branquicenta – encarangada de geada – Ponteando a guitarra, trabalhando o bordão.
Daquele bolicho – na beira do brete – Só restou a lembrança das coisas do pago: Um cheiro de pastel engordurando o minuano E uma tarde domingueira remoendo o passado!
Rafael Ovídio da Costa Gomes