Alma em Verso
Poesia

A Lágrima

Caine Teixeira Garcia

IV Colheita de Versos Abdon Batista - SCPublicado em

Eu sou o sal da partida E o doce do reencontro, Garoa que molha o verde Pra jujar um mate novo. Sou açude a romper taipa, Molhando o vidro do olhar... Eu sou o mar fora do leito Se o coração quer chorar! Eu caio do rosto abastado Que tem fama e sobrenome, Mas inundo diariamente A face de quem tem fome! Eu sou manancial da fé E o pântano da heresia, Verso encharcando os olhos Pra banhar-se em poesia! Eu sou a lágrima da dor, Gotas terrenas de oceanos... Sou o choro dos que sangram Perdidos nos desenganos! Eu sou a lágrima do amor, Um oceano de humanidade... Eu sou o choro da vitória Dos que vivem na verdade! Eu selo o silêncio e o medo Daqueles que não têm voz, E invado peito e garganta Pra desatar os seus nós! Eu liberto o clamor contido Daqueles que ousam gritar... Solto as amarras do espírito Dos que insistem em lutar! Eu não me furto ao valente, Choro discreto, sem alarde... Derramo forte os lamentos De insensatos e covardes! Eu sou gota que nas retinas Cria arco-íris de imensidão, Sou orvalho choramingando Entre a razão e a emoção! Eu sou lágrima reincidente Mar revolto do culpado, Provocando maré cheia Para afogar seus pecados! Eu sou uma lágrima serena, Mar seguro pra o inocente, Que mergulha sem temer As tempestades à sua frente! Eu sou tristeza e alegria, Eu sou alívio e sofrimento... Sou o bálsamo dos justos E o fel do arrependimento! Eu sou a água cristalina Que vem da cacimba d’alma! Sou tormenta e desatino E o remanso que acalma... Eu singro as rugas do velho E a tez macia da criança, Regando o real e o sonho Batizo o fim e a esperança! Estive no olhar de Jesus, Brotei no rosto de Maria... Desaguei o perdão de Deus Pra renascer dia após dia! Eu sou a lágrima inclemente Em quem não estende a mão, Naqueles que a própria vida Naufragou na escuridão! Eu sou a lágrima decente Que agradece a própria cruz, Aquela que honra o Homem Que vive em busca de luz!

Crédito da fonte: Caine Garcia