Alma em Verso
Poesia

Caminhos das Missões

Juca Ruivo

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Lusco-fusco. Hora mansa. Silêncio de Campo Santo. Se escuta o último canto dum Bem-Te-Vi solitário, floreando o hino do pago...

Sombras mortas nas lagoas. Nunhum contorno se esgarça na planura ensimesmada. Somente um vôo de garça rumbeia lá pelos longes pra a mancha clara da estrada, no caminho das Missões.

Desponta entre a polvadeira, tembleque, a velha carreta; chiando um gemer de eixos, carpindo a eterna canseira,

de largar as cargas nos portais das vendas das estradas largas; - de sacar peludos nas querências quietas nos rincões dispersos;

pobre e torturada, como alguns poetas, na angustiosa lida de deixar versos nos portais da vida.

E a velha carcaça teatina, rinchando as massas vai cumprindo a sina, rumo das Missões.

Arrinconado na sanga, agora o velho paisano solta boi no pouso certo.

Não há rumor pelo plaino, nem o soluço do vento acorda a alma das coisas nesta hora de nós mesmos...

Presumo que só desperto, se encontra meu pensamento.

Mas o téo-téo corneteiro se alvorotou na restinga rompendo no seu téo... téo...

E o fogão do carreteiro, na escuridão que se expande, parece uma estrela grande entreverada com as outras que fogoneiam no céu.