Alma em Verso
Poesia

Fraiburgo Obra Divina

Cândido Brasil

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O sul rural nativista é uma obra idealista do Deus supremo artista, arquiteto e dramaturgo, cuja inspiração divina iluminou a retina e na Santa Catarina criou a bela Fraiburgo.

Povo de honra e glória, com bárbara trajetória, no enredo da história veio a ser destinatária da galhardia do sangue dos Xokleng e Kaigangue, desde o Planalto ao mangue com a sagrada araucária.

Foi roteiro dos viajeiros, dos mascates carreteiros e os valorosos tropeiros de bruacas e chapéus de copas, com o gado a repontar no chão da Estrada do Mar, vindo assim a formar o seu Caminho das Tropas.

A sua paisagem nativa foi repouso pro biriva e toda a sua comitiva com muares ao redor, no panorama distinto marcado por Correia Pinto na força do seu instinto nos Campos do Guarda-Mor.

Viu o tempo chanceler com a atenção que requer Zacharias de Paula Xavier que faz com que o chão herde O progresso da região no trabalhou com a criação de gado, mula e leitão na Fazenda Butiá Verde.

Pelo cenário agreste, em sua margem sudoeste, havia presença inconteste de caravana tropeira e nesta localidade instalaram propriedade Generoso Ribeiro de Andrade e Porfírio José de Oliveira.

Conviveram em sua lida com tribo desconhecida de uma líder sabida e bravura intemerata por sua camaradagem lhe renderam homenagem dando seu nome a paragem de Fazenda Liberata.

Era um marco na paisagem, pouso de tropas em viagem pontuando a imagem do solo que resistiu, com veias abertas no chão, sem possuir marcação ou consenso de opinião, Campo da Dúvida surgiu.

A linha da ferrovia com o fio da serraria alterou sua geografia com espaços devolutos, que deixaram na região o caboclo do sertão, com sua miscigenação espalhados por redutos.

Viu a fé e a galhardia do Monge José Maria que guiava romaria com rezas do seu baú; um líder santificado, curandeiro afamado, na Guerra do Contestado, no chão de Taquaruçu.

Criou a força feminina com Maria Rosa, menina, Chica Pelega, ladina, Nega Jacinta e Teodora; mulheres desbravadoras, impetuosas lutadoras, majestosas precursoras das fraiburguenses de agora.

Viu a paz e o progresso que resultou no sucesso de suínos no processo de criação em faxinais; base de alimentação com butiá e pinhão, ajudando na formação do vale dos pinheirais.

Em todo o território um processo meritório justo e civilizatório toma forma e se vai, alterar o modo social a etnia alemã local com a Colônia Marechal Hindenburg e os Fray.

Com fé e idealismo, elã e coletivismo, trabalho e dinamismo, na ideia e no tutano, Os Fray com os seus talentos, fibra e desprendimentos, aplicam empreendimentos que forjam o núcleo urbano.

E o vigor da imigração, aumenta a população e gera a emancipação do distrito em senso purgo; a Butiá Verde pioneira é colonização povoeira que João Marques Vieira sugere o nome: Fraiburgo.

Da madeira in natura, pecuária e agricultura, até a pomicultura para prover o amanhã, com o brio de Roger Biau dá vau, e vai galgando degrau até alcançar o grau de ser Terra da Maçã.

Terra dos Fray e turismo, cultura e atavismo, respeito e telurismo, com gastronomia sem fim; se alumbra toda nação, com a beleza deste chão e o gosto do pinhão, do mel, da maçã e michuim.

Fraiburgo gleba genuína, que o oeste ilumina, é uma obra divina que não se vê em museus, desde a paisagem ao clima, do povo e sua estima, Fray é uma obra prima arquitetada por Deus.