Alma em Verso
Poesia

Verso Negro

Cândido Brasil

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Meu verso negro e guerreiro ecoa nas plagas pampeanas, com raízes africanas vindas em navio negreiro. Traz consigo a humildade dos carentes de afetos, nos idiomas e dialetos do berço da humanidade. Meu verso negro de paz e esperança nas falas, tem o cheiro das senzalas e o axé dos orixás. Tem a fé das religiões com macumba e umbanda, pretos velhos e quimbanda pelas Casas de Nações. Meu verso negro pachola nas charqueadas com sopapo foi sempre taura e farrapo, gaudério e quilombola. Traz o balanço do tango e da milonga campeira, do malambo e da vaneira na junção de um fandango. Tem a ginga bailadeira do bom samba em repique semba, jambo, maçambique, o canbombe e a capoeira. Meu verso negro é chama da mulher negra guerreira, cozinheira e lavadeira, ama-de-leite e mucama. Tem gosto de feijoada, mocotó, pé de moleque, quibebe e mais um leque de comida consagrada. Tem o sangue que fez trilha sobre os torrões pampeiros escrita pelos lanceiros na epopéia farroupilha. Meu verso negro aragano, libertário e rural, tem a exclusão racial que vive embaixo do pano. Tem origem e tradição no solo sul rio grandense, é chama crioula que vence toda discriminação. Meu verso negro é fecundo, trançado de sentimento e orgulho do pigmento que faz o ébano mundo.

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