Canto Xucro
Publicado em
Da xucra essência pampeana Que carrego no meu peito Brota o verso deste jeito Neste estilo galponeiro Com voz de tropa e tropeiro Nas rondas de campo largo Pastorejando o sereno Nas madrugadas do pago.
O meu canto abarbarado Curtido a calor e frio Mesclado de campo e rio Campanha, missões, fronteira Segue o rastro da boieira Pingo encilhado e se vai Pra bailar nas pulperias Nas barrancas do Uruguai.
Meu canto canta as Missões Igreja e cruz de Lorena É espora de índio pavena Enforquilhado nos bastos Têm cheiro de terra e pasto Potro xucro e redomão E de oito baixo chorando Junto ao fogo do galpão.
Meu canto fala em mangueira Em rodeio e marcação Espora, laço e cinchão Ginete e índio campeiro É trova, gaita e gaiteiro Nos fandangos do rincão Onde o verso faz costado Pra um floreio de violão.
No entrevero das raças Nesta mistura de sangues Meu canto xucro se expande Por toda nossa querência E na estrada da existência Esta minha idéia não mude Que eu possa trançar os versos Lonqueados na juventude.
Por fim meu canto é mensagem Aos mais velhos, pra mocidade e crianças Será recuerdo e herança Quando me for pro além E talvez seja também Declamado em algum galpão Junto ao fogão fraterno Da gaúcha tradição.