Alma em Verso
Poesia

Caraguatás

Colmar Pereira Duarte

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Que segredo esconderás Incompreendido e sisudo? Tua rudeza de espinhos, Num silêncio ponteagudo Faz com que vivas sozinho; Sem, ao menos, um aceno De quem te vê no caminho.

Quando se vão os invernos E as várzeas brotam em flor; Quando sussurram os ventos Nos ramos cantos de amor; Quando relincha a potrada E os touros se desafiam Berrando, escarvando o chão, Levantas teu braço esguio Num arremedo de flor.

Mas se te sobram espinhos, Te faltam beleza e cor. Sem um olhar de carinho, Sem beijos de beija-flor, Tens o destino mesquinho Dos deserdados do amor.

Talvez um dia eu descubra, Caraguatá carrancudo. A razão desse teu fado De não confiar em ninguém. Pois, às vezes – a meu modo – Cansado e desiludido, Sou caraguatá também.