Desalentos
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Não vejo tropas nos campos e os matizes das divisas trazem arames partidos e moerões apodrecidos atirados pelo chão. Que cena fantasmagórica pra quem se criou na lida, e agora implora pra vida somente uma solução.
A cor da desesperança prolifera em mal-me-queres que tomam conta de tudo junto com os “gravata” e, o quero-quero, num grito, abre o peito em soflagrante, refletindo as angústias de quem partiu de repente: Quero-quero igualdade, sem mendigar na cidade meu direito de ser gente.
Não vejo homens nos campos, e nem quem puxe os arados, só galpões abandonados de portas, braços abertos, mostrando a alma deserta, os pelegos atirados, os laços arrebentados e os arreios ressequidos; mas um vento ainda sopra, tentando atiçar as brasas que já são cinzas de adeus, e o resquício do telhado bate o zinco com porfia, qual coração em agonia relembrando o passado.
Partiram os campesinos, porque o apelo da terra a muito se fez calado na ferrugem das enxadas. Porque o lema de igualdade que figura na bandeira é só pra pautear discurso e arrebanhar eleições, e ainda há desordeiros que invadam terras alheias e ganham tudo no más, e os políticos, senhores que da esquerda aparecem, projetam invasões e esquecem pequenos agricultores, já não vejo esperança nos olhares das pessoas, que vagam qual tropas magras abandonadas pela ânsia de campear melhores dias. Gente que em reculota busca além um sinuelo pra repontar o apelo, de não ver a 1ª cria.
Já não vejo esperança, só a cor da desesperança. Não vejo tropas nos campos, não vejo homens nos campos. Liberdade, Igualdade, Humanidade ou viver suplicando dignidade, qual será senhores nosso destino.