Alma em Verso
Poesia

O Saci de Duas Pernas

Carlos Omar Villela Gomes

Publicado em

O Saci de duas pernas Resolveu passear aqui... Veio de longe, faceiro Diferente do que eu vi.

Chegou ao sul, bem garboso, Falando causo e poesia; O saci de duas pernas Voa mais que a ventania.

Invadiu a Salamanca E beijou a Teiniaguá... Esse Saci é complicado, Mais cara dura não há.

Seguiu de perto o Blau Nunes Sem sequer se apresentar; E se amuntou sem esporas No lombo do Boitatá.

O Saci de duas pernas É quase um guri comum; Que veio ver o Rio Grande E as crenças de cada um.

Faz folia, joga bola E se consagra aprontando... Também frequenta a escola E segue se apresentando.

Mas aqui no nosso estado Já quis meter o bedelho; E derrubou assustado Seu velho gorro vermelho.

Pois seguiu nas traquinagens, Mais xarope que mutuca; O Saci de duas pernas Sem um susto não se educa.

Um dia errou o pulo, Pois não se fez de rogado E então roubou cinco velas De um negrinho abençoado.

Mas aí veio a bagunça, Que o negrinho mirou feio; Porque ninguém rouba as velas

Do Santo do Pastoreio.

O Saci pegou suas pernas E na estrada virou pó; Coitado desse Saci Se fosse uma perna só!

Crédito da fonte: Carlos Omar Vilella Gomes