Alma em Verso
Poesia

PRANTO E P_

Carlos Omar Villela Gomes

Publicado em

Não! Não pronuncies mais meu nome! Estás totalmente proibida... Te nego integralmente esse direito Com a mesma lei que me negou a vida!

Nunca mais te achegues nos meus sonhos... Nem me aqueças nas noites tão vazias; Não mais habites a flor dos meus silêncios Nem murmures tua voz na ventania.

Não! Não inundes o meu pranto, Com todo este amor que, eterno, é teu... Não navegues os versos do meu canto, Que hoje, com minha alma, se perdeu.

Não ouses freqüentar meus pensamentos, Não ouses nos meus lábios ser poesia... Não tentes ser fogueira em meus desejos Nem venhas me emponchar nas horas frias.

Eu sei... ah, como eu sei que a culpa é minha... Eu sei... ah, como eu sei que tens razão! Errei, por julgar ter o que eu não tinha, Pequei por ser menor que o coração.

Pequei por só mostrar o sofrimento Mesmo tentando te pintar belezas... Errei ao levantar o nosso ninho Na areia movediça da incerteza.

Por isso me recolho, fecho as portas, Com grades e correntes me enclausuro... Melhor me recolher ao breu dos cegos, Do que, pra minha luz, ser rumo escuro.

Mas se um dia chegares, sem licença, Com teu brilho de estrela fugidia... Tomando minhas noites, meus desejos, Incendiando quem finou pela invernia...

Se um dia tu quebrares essas portas, Correntes, cadeados e lonjuras... Rasgares essa lei que nos separa, Quebrando a negação e a minha loucura...

Então encontrarás, cheio de esperas Os restos tristes de um poeta só... Que mesmo morto, te olhará sorrindo, Ao rever sua vida, entre pranto e pó.