Carreteiro
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Carreteiro, és do meu pago A encarnação da paciência. Crioulo de pura essência Sempre ao passito cruzado, Atrás de ti, vão ficando As ilusões da querência!
Velho paisano extraviado De alguma peleia bruta Na vastidão que te escuta O teu canto de índio vago Recorda os filhos do pago Que não voltaram da luta!
Quando eu escuto os teus gritos Acordando a soledade, Quanta tristeza me invade Porque vejo, carreteiro, Que o destino caborteiro Te carregou de saudade!
Lá vais cortando as quebradas Na imensidão da planura, E na rudez da ternura Que do teu rosto se expande Se diviza um'alma grande Que algum recuerdo amargura!
Levas contigo a saudade E tristeza que te vence, Pois nada mais te pertence E o teu pesado letargo É um sorvo de mate-amargo Da tradição Rio-grandense!
E quando junto a carreta O teu fogão se incendeia Se levanta e corcoveia Semelhas dentre o clarão Algum cacique pagão Na evocação da peleia!
E ao te ver assim sozinho Vou dizendo uma oração, Pois sinto no coração Que uma saudade perpassa, Que és um fantasma da raça Carreteando uma ilusão!!!!!