Carta Resposta ao Poeta
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A natureza enviou, Ao poeta DIMAS COSTA, Uma carta como resposta E eu é que recebi; Confesso: - me surpreendi Até fiquei apavorado, Pois ao mundo é um recado Tudo o que na carta li!...
Dizia: - Eu recebi tua carta Velho poeta campeiro, Percebi que és um guerreiro Defensor da ecologia. E que lutas dia-a-dia P'ra deixar aos descendentes, Um mundo resplandecente De paz, amor e alegria.
Notei que a tua escrita Continha sinceridade; Pois vivendo na cidade No meio da poluição, Como é grande tua aflição E a cada dia que passa, Tu notas que a fumaça Sufoca a população.
É muito bom quando alguém Sai em defesa de mim. Pois se estou quase no fim Já não sou mais como era, É que os homens desta terra, Animais inteligentes, Só plantam novas sementes De armas para fazer guerras.
Assim meu poeta amigo Eu vou ficando doente, E vejo que de repente Tudo vai modificando. Os morros desmoronando, Campos virando deserto, Aves ficam sem teto Vendo matas se incendiando...
As águas de rios e lagos São depósitos de lixos. Pois se estão morrendo os bichos, Alguém os está matando! Bem pouco estão ligando Para mim, Mãe Natureza, Pois só pensando em riqueza O homem vai se acabando.
São esses seres maldosos Que se enchem de feridas. Esquecem que suas vidas Dependem sempre de mim, Por isso peço-te assim Poeta me faz um favor: Canta poemas de amor, Para enfeitar o meu fim!...
Como tu existem muitos Lutando por mim todo dia, Pois sabem que é covardia O que estão fazendo comigo. E compreendendo o perigo Que o mundo está a correr, Pois sabem que se eu morrer Ninguém mais terá abrigo.
Velho poeta obrigado. Me escreva novamente, Eu fiquei muito contente Por isso estou respondendo, Eu sei que estás sofrendo Pois és chiru lá de fora, Mas vou confessar-te agora: Mãe Natureza está morrendo!"