Alma em Verso
Poesia

Castelo de Recuerdos

Jurema Chaves

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A noite constrói castelos Com paredes sonolentas Num tramado de recuerdos Rebocos de fantasias Que desmorona com o dia Assim que o sol despertar

Na escadaria de pedras O vento varrendo as folhas Que o outono desbotou Pra chorar nas invernias Essa voz sem melodias Que a casa velha guardou

Na poeira adormecida Ocupando a casa inteira, Um coração na parede Parece petrificado Com seus ponteiros quebrados Ainda insiste em bater!

É triste ver meu castelo Que por pura teimosia Insiste em ficar de pé, Figurando uma alameda Solitária desbotada Segurando os santa-fé!

No barro caindo aos poucos Nos escombros de rebocos Abrindo sulcos vazios... Enfrentam chuvas e frios Sem ninguém pra consertar Crescem musgos pelos portais, Nem flores rebrotam mais Cansadas dessas esperas!

Ausências eternizadas Num perfume que ficou Num gosto no céu da boca, Do pão no forno de barro Do leite dentro do jarro Do mel sorvido nos favos

Sinto o cheiro do café, Na chaleira fumegando O pai, num mate a preceito, Proseando com as labaredas... Toda lembrança que guardo Tem perfumes, tem imagens Sob o véu destas miragens Me encontro quase um guri Buscando dentro de ti Em cada ruído antigo Penso encontrar um amigo Onde foi que eu me perdi?

Nas estradas longas do tempo Buscando sonhos a esmo Eu me perdi de mim mesmo Buscando não sei o quê...

Se tudo estava tão bem Por que o tempo incoerente Nos arrasta inconsequente Por rumos desconhecidos? Se tudo que eu mais queria Se tudo que eu mais amava Estava junto daqui Bem ao alcance das mãos...

Agora, a noite se embala Trazendo insônias pra o catre No amargo doce do mate Vou dedilhando esses temas A vida parece pequena Pra tantos sonhos que temos Pra voltar de mãos vazias Buscando na mesma fonte Um pedacinho do ontem Pra acalentar meus poemas!

Vim me buscar neste rancho Preciso voltar pra mim Beber o céu nos açudes Sentir o cheiro do pasto Vim repisando meus rastros Buscando me reencontrar!