Alma em Verso
Poesia

Cheratã

Colmar Pereira Duarte

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Meu amor pela Terra não é cego. Não é paixão feroz, desenfreada. Nem tem o espanto, o ciúme e a saudade Desse amor da primeira namorada.

Meu amor pela Terra não precisa De clarins, estandartes e bandeiras; Nem carimbos, registros e diplomas Que lhe calcem esporas cantadeiras.

Meu amor pela Terra vem dos tempos, Na memória dos gens que me dão forma; Nas artérias que irrigam minha carne, No sopro que dá luz à minha alma.

É um amor consciente da certeza De quem sabe esse amor purificado No convívio incestuoso partilhado Com a Terra que é minha natureza.

Pocha Mana do Inca trucidado, Cheretã do charrua exterminado, Chão sem fronteiras do meu universo; Que vive em mim no barro do meu corpo Que canta em mim nos sons desta garganta E há de ficar pra sempre no meu verso.