Bombeador
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...Pelo olhar de ventana envidraçada Lamentou o rancho com seu pranto cristalino de sereno... Que redesliza quando lampeja sobre o toso do horizonte A "baeta rubra de uma aurora de querência"... ... Aos olhos de quem mateia concentrado, Um armorial encravado, Talvez hoje enraizado, Nutrído e curtido das chuvas e ressolanas...
...Depois de golpes de aço (de um machado cortador) Foi talhado pelo tempo... Por rigores barbarescos que este "agora" desconhece... Quem o vê como eu vejo (sombreado pela figueira) Enxerga mais que "tronquera" que sustentava selvagens, Avista feições e linhagens... figuras em semelhança Na forma mais primitiva dos traços da própria raça!...
... Parece até que bombeia os movimentos na estrada, Com os olhos de ver o nada e ares mal definidos... Se falasse, contaria as partidas, Quando rumbeavam vaqueanaços, por conta das tropas largas, Levando mundo e destino balanceando sobre as ancas Dos fletes de toda a confiança, Florões de doma e manadal... ...Ou quem sabe, dos regressos, Das desencílhas andejas Quando ao pé deste palanque Ressoavam os "buenas!" depois de bolear a perna...
...Quando palanquearam o "pardo" (zaino quebra o sentador) Ficou lanhado de "abraço", Mordidas e manotaços e da meia-volta torcida De um cabresto bem sovado!... Depois vieram gateados, mouros, rosilhos, tostados, Baguais de todas as pelagens, Costeados pela firmeza contida dentre seu cerne Arrinconado na terra!...
... A mão ancestral que o firmou, Não palmeia mais o mate... Nem as rédeas como terço Pra's rezas do campo a fora... Não trinam mais as esporas, Riscando o chão da tua volta no entrevero das tajadas, Daqueles que entre os tentos dos recaus Traziam terra a pajonal Da barbárie das bolcadas...
... Naqueles tempos A serventia da encilha nutria o rancho E o potro mais caborteiro te bombeava com temor!... ...Hoje é apenas "bombeador"... Esperançando da estrada acenos de outras eras Que não regressam jamais... O "novo" soprou ventos polvorentos E te fez quando amarelido, Sentido, olvidado e perdido, Bombeando o nada no sem fim do "nunca mais"...
...Ah! Tempo tropeiro que passa... levando tudo por diante... Vai te levando, palanque, ao despacito, sem pressa A tua Alma antiga, nativa dos matagais... Qual tantos desgarrados da própria sorte, Que ainda ostentam fundos de campo e galpões, "Contra-mestres carcomidos no corredor da existência" Sorvendo, pela inércia dos bolichos beira-estrada, o amargo da saudade, Do que foi junto ao trago, golpeado Acantonado nalgum balcão de vendeiro... De quando bombeava o ermo e avistava pago e sina Ecoando lejano na garganta de um ponteiro!...
...Eu continuo rustindo um passado que teima em viver do arreio, Salgando a própria inquietude Na espuma branca que pinta Os xergões e a cavalhada no calor das desencílhas... Curtido de cimbronaços, Pra "palanquear" as imagens dos horizontes mais largos, Nesta ascendência avoenga de fazer pátria e cavalo!...
...Porque provimos de um ontem que tinha pendões de essência... Na mesma terra que dantes bebeu sangue e suor Das nossas gestas guerreiras que domaram este chão!... Por isso que resistimos quando o tempo por pavena Tenteia nossas raizes encravadas pampa adentro!... Por isso somos "palanques" quando sustemos o nosso!... ... Tronco e marco!... ... Templa e cerne!... "Esteios perenes escorando a quincha da memória campechana"!