Alma em Verso
Poesia

velho amigo

Cleber Luz

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Final de dia... Vento teimoso... recorro a coxilha entre potreiro e corredor para encontrar meu velho amigo... e o meu eu interior.

Assim quando fujo de mim tenho tua companhia neste prosear... e fico a cismar olhando no infinito o que estás a pensar. Será que estás a rememorar o canto sonoro da calhandra que todo dia habita teus braços a imitar quem passa no teu costado... Ou a relembrar os berros dos touros nas tardes de outubro, abrindo riscos e covas na pampa demarcando imensidão de terra a chispaços de casco e guampa?

Talvez relembre os frios invernos de agosto, quando o vento assoviando em tuas “grimpas” ia compondo melodias distintas; E, sem importar-se com a geada que vinha a queimar o pasto era - Fonte de vida e abrigo – seguindo assim rijo e inerte, velho amigo.

Será que estás recordando as tropeadas? As coplas singelas do velho tropeiro repontando o gado sinuelo, ou os aboios daquele que na culatra da tropa cruzando campo em flexilha passa sem importar-se com a tua presença no alto desta coxilha? Deve estar a lembrar do piazito, que vem buscar o fruto que tens a ofertar... Ou as ovelhas que batem as “grimpas” e, ao seu pé buscam a semente!

Que pensas tu sobre os cavalos? Os fiéis parceiros do campeiro, que nos escaldantes verões buscam teus braços para repousar?

Meu parceiro, que alegria abrigar-me das chuvas contigo, e poder compartilhar versos e guitarreadas nas mornas tardes outoneiras ou nas tardes longas de primavera. Sim, velho parceiro de mate o quanto me aqueceu nos gelados invernos pampeanos!

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Gracias velho amigo!! Hoje, quando me encontro na cidade longe do meu amigo interior... essas lembranças vão escarceando ao léu! Querência, perdão por essa saudade sem fim! Pois quando volto à coxilha renasço no corredor e vejo de alma lavada meu velho amigo assim... de braços abertos esperando por mim!