Como a Chuva
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Cai a chuva E vai matando a sede Da terra, aberta em bocas ressequidas; Serpenteando nos sulcos, dando a vida Ao milharal curvado de sol quente. E, ao chegar, reverdece a esperança Das lavouyras, dos campos e da gente.
Chuva que ás vezes chora nos telhados A dor dos sofrimentos já curados Ou a fatalidade das ausências; E vai entristecendo, enquanto passa, A solidão...pois pinga reticências De saudade na folha da vidraça.
Chuva que em outras vezes é violenta Como um castigo, como desespero, Nos laçaços e gritos da tormenta; No aguaceiro que rasga como arados, Abrindo sangas, revoltando rios, Alagando o silêncio dos banhados.
Sou como a chuva. Pois, em meu destino, Volto sempre a ser nuvem, Que caminha depois de aguaceiros, Rios e cheias, Evaporando as ilusões que tinha, Com um sonho de mar Em minhas veias...