Colônia
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Depois das geadas de julho, agosto entrou morno e claro com um pouco de vento norte.
O Bepe, um atleta louro, de perfil garibaldino, cangou o boi velho mouro com o tambeiro brasino. Como nas glebas toscanas entrou na roça cantando tagarelas do apenino “canzones” napolitanas...
O largo ferro do arado sangrava a terra dormida no seu roteiro linear, sulcando a terra cindida como uma trilha no mar.
Lavrava, o Bepe, a lavoura, achando a terra macia. Planta do cedo daria! E a sua seara seria como ele, de forte e loura.
E nas milhãs das restevas o arado, as leivas virava. W o vento Norte ventava e o solzito convidava a aproveitar bem o dia.
“Anda-te, amigo Brasino, per capiscare il lavoro con cuesto mio vecchio Mouro che m’há veduto bambino”. Com pouca barba no queixo, ganosa de um mata-bicho, pela estrada, um cruzador ia direto ao bolicho, pensando, no seu desleixo: Que gringo trabalhador!
Daí a duas semanas faceira a terra alisada trigueira recém casada guardava ao ventre a semente gloriosa do agricultor. Forte e feliz, fecundada Radiante a cada alvorada, pelo seu louro cantor.