Costeando o Rio
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Foi... No início do outono, No último acampamento. Era um dia mormacento E a tarde quase morria. Eu lembro que a capivara Saiu assim... No remanso. E depois... O bicho manso, Sem mostrar espanto ou medo, Aninhou-se numa toca Junto à sombra do arvoredo.
Fiz o mate, fiz a boia, As funções de peão caseiro. Enquanto a luz do braseiro Vencia o sol no horizonte. Foi no breu desta penumbra Que ouvi rumores, gemidos. Apurei os meus sentidos, Um frio perpassando a espinha, Tentei ver a capivara Que era agora minha vizinha.
Seriam almas penadas? Seria algum predador? Naquilo o barco a motor Retornou com meus amigos. Depois de tomar um trago E falarem de balelas, Narrei, abrindo as panelas, Do causo e da capivara. Covarde! Fraco e medroso! Eu fui motivo de farra.
O silêncio só se fez Quando a boia foi servida. As três bocas entretidas Num carreteiro de charque. Então ouvi! Também ouviram! Lamentos feito criança. Acabou-se a confiança! Puxaram pistola e faca, Das sombras se originava... Ali defronte a barraca.
“Se for o capincho eu mato!” Gritou o mais atrevido. Porém seguiu, precavido, Se escorando no compadre.
No alumiar da lanterna... Brilharam luzes no abrigo. Pensando que era perigo... Tremeu a mão do sujeito. No tronco da guajuvira Mais um mistério desfeito.
Quatro filhotes no leito Que a capivara pariu! O parto feito nas águas... E depois costeando o rio!