Ensaio sobre a Inveja
II Festival Querência Amada - RolantePublicado em
Mal clareia a nesga de uma nova luz... e a inveja bombeia quieta, espreitando... ao longe, ensaiando ditos e buscando a volta, tecendo a tela para quem se importa... com a calmaria de pregar de um monge.
Desgostosa pelo bem dos outros e.. de febril cobiça, é o sentimento que a ganância atiça nas almas frágeis onde só vicejam calos... levando à ruína qualquer fortaleza.. não adiantando rezas ou cem mil badalos.
Seria simples se não fosse o Homem... um galpão de areia ao vento levado, mesmo que – garboso - venha bem montado nas experiências que colheu na vida.. porque a inveja é uma recaída que, "no mas", lhe aguarda de mate cevado.
Talvez quem ouça só encontre fel e inconseqüência de filosofia rude... ou consciência adentro... ache uma virtude, da inocência em lábios de mel... ou Dom Quixote deixando o papel pra pelear para que essa verdade mude.
Num banhadal de sonhos ou... calma de açude, onde os salsos formam rodilhas para – de sobre lombo – lançarem um olhar. por fim.. o espelho d'água possa revelar a face da inveja rondando as coxilhas.. e o caráter saia da sua ilha... para se encontrar.
Quem sabe o verso, que a esperança encilha, leve o perfume da maçanilha para adoçar o mate que restou cevado, ou... solto no seu potreiro interior – somado a outros, forme uma tropilha – retouçando livre... de lombo lavado.
É forte o tento que arremata a trança... é carga de lança que a inveja fere, porque a batalha que um poema adere é semeadura de deixar lembrança... só veja os outros com olhos da criança que... a magia da poesia gere!...