Palanque
Palanque!... A fibra e o viço da madeira... Contendo a força bruta Que lhe tironeia. Palanque... A rigidez... a retidão... A alterar destinos... temperamentos... A sujeitar os ímpetos E registrar lições... com as marcas do tempo.
Talvez... Quem retrate esse ente campechano, Baseado apenas na imobilidade “aparente”, Não o fite com os olhos de ver além... De olhar para trás... Estradear no tempo... Este... menor que o merecido... . ...Maior que o aparente.
Assim... Não te verá: Palanque!... Com teus galhos de Guajuvira, Balançando ao vento... Para a roda constante do chimarrão ...Junto a ti.
Agregavas a teu redor... Vidas tantas... que ganhavas gestos... Histórias, vozes... e expressões; Somavas amigos a teus fins-de-tarde... E ao canto contumaz dos pássaros. E a força que se renovava... Com as ervas do chimarrão - seiva bugra - Entre os palheiros, os causos... os recitados... E a chiadeira de um radinho insistente... Por conta de algum “aviso”.
E pros pequeninos... Quantos sonos tranqüilos Velastes, serenamente... à tua sombra; Povoando os sonhos com tua imagem ...Imponente e acolhedora; Cantando ventos entre teus galhos... Cantigas de ninar e... de ronda, Pra bonecas de pano... ou tropas de osso.
E nas “ingratas” e temporais, Fostes porto-seguro... Abrigo resistente e firme; Rígido pra não tombar... Mas... móbil o suficiente para acolher... Os que a ti recorriam.
Ah, senhores!... Só não o notou Quem não fez por onde!...
Personagem marcante do dia-a-dia, Bombeando longe... ...Até onde a vista alcança, Sendo testemunha e quartel... General imponente sobre a coxilha E parceiro sempre pronto... Antes de qualquer pegada ou... Num matear de mano... Naquelas horas em que a coisa enfeia E se campeia guarida... Ao invés de olhares recriminantes.
Mas... Quando o destino marca na paleta... Não há torena que sujeite o golpe... E... num sofrenaço... A jornada muda!...
Calam os cantos ao derredor... Os gestos mudam... Se extinguem. No costado... não rodam mais as cuias... Surgem ponto final... Interrogações... E... um recomeço!
Nova fase...
Agora... sim!... É um palanque forte, Tironeando potros Pras lições das domas; Mostrando aos queixudos a moral dos campos... ...Contendo ímpetos, No teu exemplo ímpar De agüentar tirões!
A tua volta... Sentam, se alçam e se entregam... À ação das lidas... Até os mais pavenas e brutos!...
Tua seiva é outra hoje... Vem do suor dos que te cercam... E das chuvas mansas... de lavar a alma.
Ainda é companheiraço Dos brinquedos da gurizada... Quando a ti se achegam os laços De algum “bracito” treinando... Ou para ti correm As pegadas pequeninas... Brincando de se esconder... Ou... no trato de algum cavalo-de-pau... ...Que sempre precede aos petiços.
Ah! Amigo velho!... Ao te ver bombeando o pampa E a teu horizonte largo, ...Palanqueando a tua carga... ...O tempo pára!... Já não contam as horas desse tempo... E não cantam... as rosetas das minhas esporas... São meus olhos que me cabresteiam... E me prendem a tua imagem... E eu... me entrego ao tirão maior... Este de “quebrar o queixo” da consciência ... ...Topo de frente... com a Lei da Vida!
Ah! Senhores!... Surgimos todos pra somar no mundo... Frágeis e sujeitos aos tombos... Das forças todas que nos cercam... Ganhamos o viço... Cerne forte... Ramificações... Agregamos vozes... ...E amigos. Crescemos sendo cuidados e... depois ...Somos fortins e aconchego; ...Acalanto e... tironaço!
E... mesmo com o cerne forte Tombamos com a ação dos anos... Mas... ficamos ainda... Como Palanques vigorosos Cravados nas coxilhas, nos campos E... peito adentro dos homens; A alinhar destinos e temperamentos... ...Com cada lição deixada... a apontar sentidos... ...E ser contos pras bonecas-de-pano... ...E aboios pras tropas-de-osso... ...E dar viço e força... de pais e avós... ...Pra eterna criança que há em nós!...