SONETO DO GAÚCHO EM MOVIMENTO
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I
Sobre um trono de regalo se apossou dessas planuras a mística e briosa criatura e seu precioso vassalo.
Sim! É do gaúcho que falo e sua propalada bravura, que ante o tempo venceu lonjuras sobre as valorosas patas do cavalo!
Também usando juntas de bois, vagou rodando – depois , pelas rodas das carretas.
Cobertas, a época, com couro, depois lonas, levaram mercancias e milongas choronas, do litoral a fronteira, pra que a História fosse feita!
II
Por senhor sobre as coxilhas, o gaúcho também cruzou o Rio Grande a pé, talvez por legado de herdeiro de Sepé cumprindo com sua sina andarilha.
Nos passos firmes sobre a flexilha trilhou léguas em campechana procissão de fé, quem sabe na pele de um bravo Pajé ou cumprindo o destino de campeador farroupilha.
Mas, quem sabe, o taura andarilho que, com orgulho, reporto nesse instante, fosse o vento tropeiro e semeador.
Talvez fosse um canto “pé-no-chão”, Que lavrou e deixou marca no rincão Tropeando sonhos e plantando versos de amor.
III
Mas até por sobre as águas também, O gaúcho habilmente soube passar. Por vezes, pela necessidade vital de cruzar, Outras por paixão sem igual a alguém.
Na pelota de couro um índio vem, De canoa, um dia, o gaúcho vai voltar. No futuro é certo que será um barco a navegar... Mercadorias e riquezas que o Rio Grande têm.
E até por entre os campos Para estranheza de muitos e espanto de tantos, Usando rara destreza navegou com o Seival.
Provando a todos a audácia e o tino, de um povo que forjava a templa e desenhava o destino de uma epopéia digna e de um feito sem igual!
IV
São séculos de existência e rastros de mil contendas, traçando o rumo das lendas que vagam pela Querência!
O gaúcho aprendeu na convivência e nas lições da fazenda, que marcam pra ser legenda àqueles com mais consciência.
Pois agora sabe que pra ir além, não importa se a pé, a cavalo, carro ou trem... carreta, carroça, barco... ou pensamentos ao léu.
Não dá pra ficar parado, cuidando a vida passar, tem de buscar a ternura pra mais livre se encontrar, talvez uma pandorga para voar e estar mais perto do céu!
SONETO DO GAÚCHO EM MOVIMENTO