CRUCIFICADO
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Meus sonhos, ideais, a minha força; Ungi com água benta minhas esporas Já cansadas de garrões e de puaços.
Crucificado fui, num “mea culpa”, Rastros errados nas estradas certas; Lamentos dedilhados pela noite Em goles de cacimbas esgotadas... Crucificado fui, peito sem norte, Nesta noite profunda, enluarada.
Barrabás venceu, fui derrotado, Ou talvez tenha sido vencedor... A cruz que me tomou, mostrou que acima, Além do vento verde das campinas, Existe um céu de luz, desafiador.
Beijei a cruz no céu, fui submisso À lei que me pregou nestes extremos... Alma tranqüila, coração sereno, Sorvi o vinagre da vida com prazer; A alma é lago pra dar de beber E quem pensou que o mundo era pequeno Foi condenado a não mais volver.
Crucificado fui, vestes farrapas... Pedras jogadas no meu corpo inerte; Mas a coragem é um sangão que verte Por entre as veias de quem quer demais...
Crucificado fui, neste Cruzeiro, Que ao sul do céu me carregou, inteiro, E fez da cruz o meu lugar de paz!