Cuiz de Galpão
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Porongo da tradição, Que floresceu no monturo! Pelo baraço seguro, Foste crescendo a preceito, Até que tomaste jeito E forma de coração... Por isso, quando na mão, Te sinto dentro do peito.
Da sede mato o desejo, Te saboreando num beijo, Nas rodas do chimarrão. Cuia velha de galpão, Tostada pela fumaça, Tens o tempero da raça, Nesse amargo do teu bojo... Teu ronco é o tropel, o arrojo Do farroupilha que passa.
Quando o galpão ‘sta deserto, Nas horas da campereada, E te vejo abandonada, Na lata velha da erva, O teu silêncio conserva, Na tristeza dessa hora, A mágoa de quem espera, Na solidão da tapera, A china que foi embora.
Meu peito é galpão deserto, Onde o fogo está coberto Das cinzas do abandono; Onde tu, cuia sem dono, És o próprio coração... Cuia pobre de galpão, Porongo sem procedência, Recordação da querência, Gravada na tradição.