Alma em Verso
Poesia

Seca Braba

Cyro Gavião

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Era uma tarde de seca e de sol quente! Já nem serviço sequer pr’ aquela gente Que enchia o galpão, e ao fogo ateava lenha. O mormaço galopeava na coxilha; Por entre o gado, troteava uma novilha Que, por mais viçosa, já se achava prenha.

Era uma tarde de seca e de sol quente! Parecia até Deus onipotente, Esquecendo o velho pago e a querência, Não via a terra chorando a própria mágoa; O pasto torrado, a sanga já sem água E o guasca vencido a lhe pedir clemência.

Era uma tarde de seca e de sol quente! Até o velho quero-quero estava ausente, Qual “sentinela” covarde que deserta. Mas, o céu, como a novilha, então, se emprenha; Embarriga e ameaça que despenha... E leva consigo a chuva que era certa.

Era uma tarde de seca e de sol quente! Na charqueada de esperanças - que é o poente - Morria a tropa do guasca que não cansa... Eu sinto a seca e a chuva que passou. E é por isso que, na vida, sempre eu vou Repontando minhas mágoas pra balança.

Era uma tarde de seca e de sol quente!...