Trama Quebrada
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Passando aquela porteira, Que tem a trama quebrada - Que, por sinal, foi trompada Dum bagual corcoveador - A gente sente um sabor De flexilha e grama fina, Que traz um gosto de china Com poeira de corredor.
No lombo do pensamento, Esbarro o pingo no freio; Boleio a perna e me apeio, Na porteira da invernada... E a trama, qu’está quebrada, E’ uma saudade partida, Que se carrega, na vida, Nos tentos duma tropeada.
Eu passo e fecho a porteira, Deixando a trama pra trás, Lembrando que o capataz Recomendava a volteada: - Não quero que fique nada. Vá mangueando a trotezito, Pra que esse gado bonito Não vá se alçar, na invernada.-
Eu campereio a saudade, Sentindo o peso do jugo... Só vejo, agora, o refugo, Nas canhadas da tristeza... A vida é uma correnteza, Que lembra a “Sanga d’Aguada”, Rolando sempre calada, Nas dobras da natureza.
Foi aqui, velha invernada, Que amadrinhei meu destino, Pealando, desde menino, Os sonhos duma ilusão... Eu tinha a tava na mão, Na cancha larga da vida... Mas, copei banca perdida, Nas ânsias do coração.
Eu volto e fecho a porteira, Deixando a trama pra trás, Lembrando que o capataz Recomendava a volteada... Mas, já no fim da jornada, Como um pedaço da vida, Só vejo a trama partida, Nos tentos desta tropeada.