De Volta ao Pago
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Feições de gente sofrida, Jeito de homem campeiro. Bombacha de pealar pinto, Uma bota de garrão: Pediu licença pra todos, Boleou a perna e apeou.
Pelos traços: caborteiro, Um bigodão de respeito, Olhando meio por baixo Dum sombreirito” barroso. Pela cor muito surrado Igual ao dono, talvez...
Se dirigiu de vereda Ao bolicheiro gordacho, Pedindo meia garrafa De cachaça misturada E dois dedos de purita Para espantar o calor.
Caladão, de pouca seca Perguntou, meio pra todos, Quantas léguas se gastava Para chegar “de a cavalo” No rincão denominado Passo do Itacurubi.
De veredita, um afoito, Muito pronto e voluntário, Mostrou c’o cabo do mango A direção de um atalho, Por onde daria certito No dito cujo lugar.
-“Mil gradas! Quanto lhe devo?’1 Indagou, meio sem graça, Ao bolicheiro ladino. Conversador como o diacho” Mas prestativo pra todos Que passavam por ali.
-“Nada lhe custa, amigaço! Quem sabe mais algum vicio?’ Parece que adivinhava Que os cobres do forasteiro Mal cobriam co'as despesas, Não sobrando nenhum ‘real’.
O taura, desenxabido, Bombeando para o cavalo Ofereceu para todos Uma adaga pura prata, Enfiada por entre as garras, Com o cabo à ‘mão de semear
-“Empenho por qualquer preço, Retiro quando puder. - Minha “lombo de vareta" Só desmancho as iniciais, Eu carrego, justamente, Pras horas de “percisão”.”
Um rapazola pilchado, Com ares de fazendeiro, Encarou o forasteiro, Falando sem titubear; - ‘Pode gastar a vontade!.. Não venda um ferro de lei.
Deveras, meio sem jeito, Sem saber por qual razão, Era tratado por todos Como gente do lugar. Resolveu “floxar” a língua, Num estilo todo seu:
-“Senhores, se me permitem, Vou descartar as tristezas Neste resto de domingo, Já quase ao anoitecer: Venho chegando do povo, Tenho muito pra contar...
- Sai daqui gurizito, Inclinado pros. arreios. Quem sabe até não daria Mais tarde pra domador? Resolvi bater matraca. Campeando o que não perdi.
- Vi coisas do arco-da-velha, Só vendo pra acreditar... Lote de gente nas ruas, Mãos no bolso, almofadinhas Proseando e dando gaitadas, Pelo jeito, mui vadios.
- Alguns com jeito de homem, Outros com tipo esquisito, Me bombeavam de bombacha, Empeçavam cochichar, Como se eu fosse estrangeiro Chegado de outro pais.
- Comecei campear trabalho: Bem logo me coloquei. Pra um homem que se defende, Não existe ponta ruim. Os cobres não aparecem Pra quem não quer trabalhar.
- Assim passei muitos anos Mas nunca me aclimatei. Não existe igual aos pagos: Isso posso garantir; Por isso, venho a cabresto E não tenciono voltar.
- Vou fazer tudo de novo No lombo do meu cavalo. Me sobra força nos pulsos Para o que der e vier. Lastimo, porque no rancho Não vou achar mais ninguém.
- Gauchada como essa, Lhes digo, só por aqui. Vou convidar o meu ruano Vou gastar o que me falta, E contem com um amigo às ordens No Passo Itacurubi.
- Bote dois dedos de pura, Porque preciso chegar!...”