Queixas de Desempragado
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Andando desempregado Ganhei o fora da prenda Mas me justei numa fazenda Por ser um índio campeiro Precisava de dinheiro Mas eu andava azarado No primeiro banho de gado Caí dentro do banheiro.
O meu cavalo picaço Que jamais perdeu carreira Ta virado numa topeira Nem pra carroça se aluga Vai pro jardeio, refuga Já tem dado até peleia Num tiro de quadra e meia Perdeu pra uma tartaruga.
O meu maneador macanudo De botar o pingo na estaca Veja o que a sorte velhaca Numa noite fez pra mim Era de fato o fim Meu maneador couro de boi Sabe pra onde foi Pro buxo dum graxaim.
Que roubasse o maneador Até acho natural Que roesse todo o buçal E a estaca de guajovira Mas tirar um tento de imbira E no pescoço amarrá-lo Fugindo do meu cavalo Até parece mentira.
O meu cachorro brasino Que era bem gordo e bonito Ta que nem um pirulito Até com o vento se dobra Lambe osso quando sobra Já não vai quando se ética Disparou duma lingüiça Pençando que era uma cobra.
A coisa andava feia Pior que tombo de cego Mas eu digo: não me entrego Não ta morto quem peleia Assim dizia uma ovelha No meio de dez cachorro E numa briga lá no morro Me deceparam uma orelha.
Fui apenas apartar Eu nem tava na pendenga Mas me tocaram a cherenga Meio assim de atravessado Quadrei o corpo pra um lado Sem ter no gesto malícia Nisto chegou a polícia E eu já fui preso enganado.
Mas a vida melhorou Hoje a sorte me acompanha Tenho um rancho na campanha Até lavoura plantada Tenho gado na invernada Tem de tudo na fazenda Até o carinho da prenda Que a muito tempo eu rondava.