Dia de Peão
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Fim do dia desencilho, Recolho o pingo pra dentro. Atiço o fogo Aqueço a água pro mate. me sento num cepo retovado, Pra principiar o chimarrão.
Lá fora o vento mais forte, Começa a forçar a porta Como pranchaços de facão. Por sobre o teto de barro Os galhos da pitangueira Acalantam o galpão.
Busco um gole de pura Junto ao pé do esteio. Uma pitada mais funda Do cigarrito de palha, Me faz clarear a memória.
O piazito se achega Para a roda do fogo Abrindo o poncho poído Sobre o xergão dos arreios e, se acomoda no chão.
Novamente o vento forceja. A noite se alonga, O frio é intenso... A prosa na roda do fogo continua, O mate corre...
A lamparina quase cansada, Avisa a hora da "bóia". O vento branda Pra dar lugar a geada. O mate pára...
Me enrodilho no poncho junto aos tições rubros do fogo, Já quase virando cinzas E me acomodo no catre.
Fim de noite, Primeiros clarões do dia. aqueço a água do mate, encilho o baio gateado, Para as lides de rodeio.
O pingo pateando gelo, Num capinzito já ralo, No piquete do galpão Como me convidando Para o galope matinal, Que deixa lavado em suor Os preparos e o xergão.
Mais um mate, Pico um naco pra viagem Um maço de palhas buena Reviso os peçuelos e E reaperto o cinchão Para moldar a badana.
Parto com a comitiva Rumo a invernada do fundo, Apartar o gado xucro, Marcar, curar bicheiras Revisar os alambrados, Tirar o gado da enchente Para as pastagens mais secas.
As horas passam A tarde chega, Novamente a volta pras casas. É fim do dia...