PRA QUANDO EU ME TORNAR VERSO
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Um dia nessas campanhas - Por certo há de chegar - Deixo alguém no meu lugar Pra completar minhas façanhas E essa alegria me acanha Ao ver em seu ventre xirua A raça do índio charrua Que escaramuça em delongas Pra compor mais uma milonga Debaixo de um quarto de lua
Pra quando eu me tornar verso Um dia nessas campanhas Quem sabe serei canção Que clama do coração Dos mais nobres índios campeiros, Por certo não o primeiro, Apenas terei minha vez, Pra ter assim, talvez Do meu jeito a minha sorte Ser cantado de sul a norte, Pra descansar em tua tez...
Quero ser um verso alegre Pra trazer pra essa gente Lembranças sempre contentes De um tempo que venere Talvez um verso que impere Por várzeas de campo aberto Um tarumã no descoberto Um rancho num fim de mundo Um amor por um segundo E ter minha prenda por perto
A alma do payador não vai morrer O corpo desse mundo some Mas quero saciar minha fome E a outras bocas socorrer Se um verso pronto trazer Na mesa da fartura o pão Que se esbanje em meu galpão Esse alimento que é sagrado E na comunhão é consagrado Pra me fortalecer o coração
Quero ser o catre e os pelegos De um rancho recém casado Pra sentir o que ali é figurado Numa noite de aconchego As carícias e os medos De um casal em euforia Cruzam muitos e muitos dias Mas não se perde a esperança E nasce então a criança Pra mas um verso que inicia
Quero na garganta do índio Abrir um sapucai de guerra Saudar a defesa dessa terra Ou simplesmente me impor Na manhanita do corredor Afinado no canto do carijó Ou, se Deus de mim tiver dó Me venho no verso do payador