Dignidade Amordacada
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Do rodeio voltei acabrunhado, indagando das lembranças: onde foi parar a dignidade ingênua do sangue campeiro? por dias campeei e, se não fosse os cavalos, as bombachas e as botas... nos homens... não encontrei. Fiquei remancheando os pensamentos, buscando consolo na história como quem cutuca com o guizo o coração pra vê se dele galopa um pouco de alegria ou pelo menos esperança de reencontrar a pureza xucra da estância lá do meu lugar Não vi o gaudério levantar o chapéu pra cumprimentar as prendas, na minha terra, respeitoso costume, nem vi a sinceridade dos chasques de um campeiro a outro, irmãos que são, filhos da mesma e abençoada terra, parceiros das mesmas lidas e das mesmas guerras. Não senti o cheiro do churrasco, cravado por um espeto de pau, tirado do capão, assado no brasileiro amontoado no chão, chão donde sai um tempero único e especial, o mesmo chão que temperou com fibra, cada homem, cada bagual. Mas, o que mais me retruca é o triste silêncio da gaita e do violão, silêncio que ecoa como um protesto, abafado pelos abusos dos vexames dos volumes tecnológicos que amordaçam o doce das crioulas cantigas, verdadeira e pura música nativa