Alma em Verso
Poesia

Aprumando o Rumo

Dimas Costa

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Mandei fazer umas botas Russilhonas, sob medida, Quero romper para a vida Com esse garbo arrojado, Que recebi como herança Dos Taitas da tradição, Do amor por este chão Que por Deus nos foi legado.

Andei olhando nas páginas Dos livros de nossa história E vi rompantes de glória Em heróis de carne e osso. Por isso se nestes tempos De grosso chamam o campeiro, Eu quero ser o primeiro A ser chamado de "grosso".

Não peço favor algum Pois já sou mais liberto. Só guardo respeito, afeto, Por quem como eu sabe ter, Honra e brio, amor e crença, Neste pago rio-grandense, Pedaço que nos pertence Neste mundo, pra viver...

Mocito, podem chamar-me, Mocito, aqui do pago. E a mim compete o encargo Das rédeas do meu destino. Estou no estágio do homem Que tem que escolher o trilho. Sou um gaúcho POTRILHO, Meio adulto, meio menino...

E se sou duma Jovem Guarda, Num mundo de tanto progresso, Hei de mostrar ao universo Que se pode andar pra frente, Aparando os cascos do pingo, Progredindo e renovando, Porém sempre conservando A alma de nossa gente!