Moça da Campanha
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Eu sou moça da campanha, Uso vestido de chita. Dizem até que sou bonita Mas eu não sinto vaidade. Eu sei: na minha rudeza Talvez não possa igualar A beleza singular De uma moça da cidade!
Ando assim de pé no chão, Lidando no meu ranchinho. Quando levanto cedinho, Vou correndo pra mangueira! Ajudo a mãe no curral, E depois varro o terreiro... Passo assim o dia inteiro, Fazendo a lida caseira.
A tardinha corro à sanga, Lavo os pés e lavo o rosto, E ponho com muito gosto, No cabelo, linda flor... Depois eu vou pra porteira Onde espero, entusiasmada, A volta da gauchada, Para ver o seu amor.
Ele é peão de lá da estância, É pobre mas é bonito Quando retorana, ao tranquito, Num pingo lindo que tem; Eu sinto, dentro do peito, Corcoveando de emoção, O meu pobre coração, De tanto que eu quero bem!
Ele promete que um dia Vai levar-me pra um ranchinho Entre amor e carinho, Vamos viver, toda a vida. Mais como a gente padece, E como custa chegar O dia de realizar A promessa prometida!
E quando isso se der Eu vou chorar de contente. Mas prometo, minha gente, E juro de coração, Que se Deus me permitir, Criarei nesse ranchinho, Uma porção de piazito Pra cultuar a tradição!