Negociador do Futuro
I Garimpo da Poesia Gaú cha (Virtual) - S. J osé do OuroPublicado em
Olhos ariscos de quem foge do fogo. Miram lentamente o mar verde araucárias. Quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar. Sua vontade era riqueza. Mas porque possuir quando quer se esconder?
Sim quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar. Pobre soldado incapaz de prever o que vinha, Tinha terras, invernadas, mas mantinha uma vontade tordilha, Por campear sempre mais.
Possuiu tudo que sempre quis. Mas porque querer sempre mais? Talvez quisesse coisas que o dinheiro não é capaz comprar. Fez amizade com quem lhe podia prover sempre mais. Quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar!
Chico escolheu pra seu par Maria Joana. Que muito mais que seu olhar, vinha a ser caborteira também. Como o gado selvagem que ele detinha. Desertor desposou Maria, para aliviar sua vida rica e quem sabe vazia.
Casou com sua linda. Mal sabia, destino curto ela teria. Quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar! Os dois se entranharam igual o verde pesado dos matos sem fim. Que destino teria a guria mais linda?
Negociou com governo. Entre estradas e trilhas. Foi demarcando seu chão. Como pode um desertor negociar com um governo?
Assim ele o fez, traçou tudo que queria. E por entre as estradas e trilhas foi-se erguendo a região Quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar! Guardou todo ouro que pode, através dele foi apresentado a lealdades. Era posseiro de muitas riquezas e sonhos.
Até que um dia sua amada Maria fez-se gestar. Mas não sabia Maria que quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar! Sofreu a pobre tentando parir. Sua dor teve fim quando a morte lhe viu.
Agora Chico sem Maria e sem cria. Quis negociar muito mais. Escolheu dentre todos aqueles que julgava leal. Carregou sua riqueza como quem carrega o amor. Quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar! No alto de um morro levou todo ouro que tinha. Como não existe segredo entre dois. Nomeou a lealdade pra cavar sua própria cova. Com a desculpa traiçoeira de que seria o único a saber.
Lealdade cavou com vontade a cova funda. “Da terra veio pra terra volta.” E o ouro foi plantado. E adubado com o corpo da lealdade. Quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar!
A cova bem adubada. Com resíduos de lealdade. A quem diga que ouro na terra dá cria e transforma. Mas quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar!
Triste a sina leal. Plantou ouro, nasceu água. Que no entardecer maragato. Refletia pras vistas uma lagoa de ouro. Quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar.
E os anos se foram passando entre segredos e prosas. Aquilo tudo pertencia ao soldado foi-se aos poucos se indo. Nada dessa terra pertence a quem já partiu. E quem veio queria encontrar sua riqueza.
Tudo que planta cresce e floresce. Em cada pedaço de chão. Foi plantando a esperança. Onde se projetou abundância de terras fecundas, Hoje se avista a riqueza do chão.
Como poderia saber um soldado? Que todo tesouro plantado um dia iria brotar? E tão pouco sabia que as terras que ele tinha. Hoje seria a prosperidade de muitos.
E quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar! Mesmo sem herdeiro ele deixou, Uma herança pra todos, De nunca perder a esperança, De achar o ouro plantado nesse lugar.
Engana-se o vivente. Que campeia ouro na terra. A riqueza brota em qualquer semente. Pois quem negocia o futuro não sabe o que vai comprar!
E assim a riqueza se faz. Encilhada com a sorte de quem vai plantar. E o tal dito tesouro tá fincado n'alma, Desses que nasceram nesse lugar. Pois quem tem ouro na terra ele brota no olhar.